Jornalista diz que Venezuela está dividida sobre operação de Trump e captura de Maduro

Venezuelano Miguel Oropeza, da cidade de Guayana, disse que o país está dividido acerca da operação militar liderada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e que culminou com a captura do mandatário Nicolás Maduro

Em conversa com a Itatiaia, o jornalista venezuelano Miguel Oropeza, da cidade de Guayana, disse que o país está dividido acerca da operação militar liderada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e que culminou com a captura do mandatário Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Parte do país comemorou a captura do ditador. Já outra parte preocupada com os rumos que a ‘administração norte-americana’, anunciada por Trump, pode tomar.

“O país neste momento se encontra bem dividido quanto às emoções: parte está muito contente com a captura de Nicolás Maduro na madrugada venezuelana. Já outros exigem a liberação do presidente venezuelano e de sua esposa Cilia Flores, que foram levados aos Estados Unidos na operação”, disse Oropeza.

A operação dos Estados Unidos em Caracas, capital do país, levou muitas pessoas aos mercados, pois há receio de problemas de abastecimento.

“Algumas pessoas mantêm a calma. Mas, por outro lado, pelo que pode acontecer mais à frente, muitas pessoas se desesperaram e foram comprar artigos de primeira necessidade caso ocorra algum problema de abastecimento”, relatou o jornalista venezuelano.

Em entrevista coletiva, Trump declarou que a Venezuela será administrada pelos Estados Unidos até que uma transição democrática ocorra.

Segundo Miguel Oropeza, as declarações também geraram divisão entre os venezuelanos neste sábado (3). Segundo ele, Maduro era apenas uma das peças do ‘Cartel de los Soles’, grupo apontado por Trump como chefe do narcotráfico e de uma ditadura.

“Ao menos por enquanto as pessoas esperam que o país não seja abandonado. Muitos pensam que tirar Maduro é tirar apenas uma peça do que era o Cartel de los Soles. Os demais ‘cabeças’ estão soltos e seria perigoso para o país seguir sendo governado por eles”, prosseguiu o jornalista.

“Até por isso, Donald Trump fez esse aviso de que Maria Corina Machado (opositora de Maduro) e Edmundo González Urrutia (candidato que teve a maioria dos votos na última eleição, mas não teve a vitória reconhecida) não vão ser responsáveis para assumir o país porque há muito ódio de parte da população por eles”, contextualizou Miguel Oropeza, alertando que não há uma unanimidade na Venezuela em relação a uma sucessão.

No interior do país, menos afetado pela operação militar norte-americana, a vida segue sem grandes mudanças, completou o jornalista de Guayana, localizada no Nordeste.

“A vida segue normal aqui na cidade de Guayana, onde eu me encontro. Hoje o transporte público funcionou muito pouco. Mas em Caracas, onde aconteceu tudo, muitos negócios estão fechados e pouca gente saiu na rua. Passadas algumas horas da operação, há muitas filas, pois as pessoas estão comprando coisas nos mercados com medo de haver uma falta de abastecimento”, concluiu.

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