Irã promete volta gradual da internet e clemência a ‘manifestantes enganados’

Chefe da polícia nacional do Irã, Ahmad-Reza Radan, prometeu punições mais leves ao manifestantes caso se entreguem em três dias

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei

Um funcionário do governo iraniano declarou, nesta segunda-feira (19), que o acesso à internet no país voltará ao normal de forma gradual esta semana. Na mesma ocasião, a polícia prometeu clemência ao manifestantes “enganados” que se juntaram aos protestos antigovernamentais.

“A internet voltará ao normal de forma gradual nesta semana”, declarou à televisão estatal o vice-presidente iraniano de Ciência, Tecnologia e Economia do Conhecimento, Hossein Afshin.

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Um acesso limitado à internet para alguns sites estrangeiros, como o Google, foi reestabelecido brevemente no último domingo (18). Mas, até esta segunda, ainda não era possível abrir links dos resultados de busca.

O país passou por um corte de sinal de internet, telefone e mensagens de textos no dia 8 de janeiro, em meio às manifestações. A comunicação por telefone voltou ao normal na última terça-feira (13) e, as mensagens de texto, no sábado (17).

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Punições mais leves

O chefe da polícia nacional do Irã, Ahmad-Reza Radan, prometeu punições mais leves ao manifestantes caso se entreguem em três dias. Ele considera que há pessoas que foram enganadas para aderirem aos protestos.

“Os jovens que se envolveram involuntariamente nos protestos são considerados indivíduos que foram enganados, não soldados inimigos”, e “serão tratados com indulgência pelo sistema da República Islâmica”, declarou Radan à televisão estatal.

Na última semana, o governo iraniano voltou atrás na condenação do manifestante Erfan Soltani à morte. Grupos de direitos humanos afirmaram que autoridades do país planejavam executar o jovem de 26 anos. Por outro lado, Centro de Mídia do Judiciário do Irã afirmou que a informação era “notícia fabricada”.

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Ele está na Prisão Central de Karaj, a 42 km de Teerã. Segundo o judiciário do Irã, caso seja condenado, a pena será de prisão.

“Se as acusações forem comprovadas pelo Ministério Público e um veredicto legal for emitido por um tribunal competente, a pena prevista em lei será a prisão”, afirmou o judiciário iraniano. “Fundamentalmente, a pena de morte não existe na lei para tais acusações”, acrescentou.

Protestos no Irã

Manifestantes, opositores da República Islâmica do Irã, vão às ruas de várias cidades do país desde o dia 28 de dezembro de 2025. Inicialmente, os protestos foram motivados pelo aumento dos preços e colapso da moeda local.

As manifestações começaram a ganhar grandes proporções, registrando mais de três mil mortos nas últimas três semanas, segundo o Iran Human Rights (IHRNGO), grupo de direitos humanos com sede na Noruega.

Os protestos representam um desafio para a República Islâmica, que está no poder desde 1979. Aos gritos de “morte ao ditador”, milhares de iranianos pedem nas ruas de Teerã e de outras cidades o fim do sistema teocrático xiita, comandado pelo aiatolá Ali Khamenei.

Esse é o maior movimento de manifestação no Irã desde a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente ter violado as normas de vestuário para mulheres, em 2022.

* Com informações da AFP.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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