Irã diz que ‘está pronto para guerra’ após ameaças de Donald Trump

Presidente dos EUA prometeu uma resposta caso alguém morra nas manifestações que ocorrem no momento no país islâmico

Protestos em Araque, região central do Irã

Esta é a terceira semana de protestos contra o regime dos aiatolá Ali Khamenei e o alto custo de vida no Irã. Após repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de intervenção militar caso a repressão continue, o ministro das Relações Exteriores do Irã declarou, nesta segunda-feira (12), que o país está preparado para a guerra, mas também disposto a negociar.

Enfrentando um dos maiores desafios desde a proclamação da República Islâmica em 1979, o governo busca retomar o controle levando os apoiadores às ruas. Nesta segunda, milhares de pessoas se reuniram na Praça Enghelab (“Revolução”) no centro de Teerã, agitando bandeiras em demonstração de apoio.

Durante um discurso, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país trava uma “guerra contra terroristas” como parte de um conflito “em quatro frentes”.

Ghalibaf mencionou as guerras econômica e psicológica, uma “guerra militar” com os Estados Unidos e, “hoje, uma guerra contra os terroristas”.

Leia mais:

Manifestações pró-governo semelhantes também foram relatadas em outras cidades do país, de acordo com imagens transmitidas pela televisão estatal iraniana.

Ameaças de Trump

Depois de ameaçar várias vezes ordenar uma intervenção militar em resposta à repressão, Trump afirmou, no último domingo (11), que os líderes iranianos queriam negociar e que “uma reunião estava sendo preparada”, mas sem descartar a opção militar.

“Talvez tenhamos que agir antes de uma reunião”, disse o presidente norte-americano, acrescentando que o Exército dos EUA estuda “opções muito fortes”.

Por outro lado, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou em uma conferência de embaixadores estrangeiros em Teerã que o país “não busca a guerra, mas está totalmente preparado”.

O diplomata acrescentou que o Irã também está preparado para negociar, mas ponderou que “essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo”.

Simultaneamente, a chancelaria iraniana afirmou que um canal de comunicação estava aberto entre o governo de Teerã e o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio.

Repressão aos protestos

A repressão aos protestos deixaram mais de 600 mortos nas últimas semanas, segundo o Iran Human Rights (IHRNGO), grupo de direitos humanos com sede na Noruega.

Além dos mortos, milhares de pessoas ficaram feridas desde o início das manifestações em dezembro do ano passado. Entre as vítimas estão nove pessoas menores de 18 anos.

Estimativas feitas pelo grupo apontam que mais de 6 mil pessoas poderiam ter morrido. Mas o apagão quase total da internet dificulta a verificação do número de forma independente.

Filho do xá deposto pede intervenção norte-americana

Na última sexta-feira (9), o opositor exilado Reza Pahlavi, filho do último xá, título dos antigos monarcas do Irã, deposto em 1979 e figura da oposição no exílio, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a invasão do país no Oriente Médio.

“Senhor presidente, este é um apelo urgente por sua atenção, apoio e ação (...) Por favor, esteja pronto para intervir e ajudar o povo iraniano”, escreveu em suas redes sociais.

* Com informações da AFP.

Leia também

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

Ouvindo...