Opositor exilado pede intervenção dos EUA no Irã: 'É um apelo urgente’

Pedido é feito após o líder supremo iraniano pedir para que Donald Trump cuide do ‘próprio país'; ONG confirma 51 mortes de manifestantes nos últimos dias

Na foto, o opositor Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979

Em meio a uma onda crescente de protestos no Irã, Reza Pahlavi, filho do último xá, título dos antigos monarcas do Irã, deposto em 1979 e figura da oposição no exílio, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a invasão do país no Oriente Médio.

“Senhor presidente, este é um apelo urgente por sua atenção, apoio e ação (...) Por favor, esteja pronto para intervir e ajudar o povo iraniano”, escreveu em suas redes sociais.

O pedido foi realizado após o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, mandar um recado, nesta sexta-feira (9), a Trump, aconselhando o norte-americano a se preocupar com o próprio país.

A fala de Khamenei é motivada pela ameaça do presidente dos Estados Unidos. Há uma semana, Trump prometeu uma resposta caso alguém morra nas manifestações que ocorrem no momento no país islâmico.

Líder supremo do Irã manda recado a Trump

A declaração do líder supremo do Irã foi televisionada. Na ocasião, o iraniano também afirmou que Trump tem as mãos “manchadas com o sangue de iranianos”, em referência à guerra de 12 dias com Israel, em julho de 2025. Na ocasião, os EUA bombardearam instalações nucleares do Irã.

Khamenei ainda disse que os manifestantes são terroristas, preparando o terreno para uma repressão violenta semelhante à dos anos anteriores.

As declarações acontecem ao mesmo tempo em que o serviço de internet foi interrompido no país. Segundo a organização NetBlocks, a restrição já dura 24 horas e preocupa opositores no exílio.

“A República Islâmica pode tentar transformar esta noite em um massacre, sob a cobertura do apagão total das comunicações”, declarou a advogada iraniana Shirin Ebadi, Nobel da Paz de 2003.

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Manifestações no Irã

As manifestações no Irã representam um desafio para a República Islâmica, que está no poder desde 1979. Desde o dia 28 de dezembro de 2025, iranianos vão às ruas de várias cidades do país em protesto contra o aumento de preços e o colapso da moeda local.

Aos gritos de “morte ao ditador”, iranianos pedem nas ruas de Teerã e de outras cidades o fim do sistema teocrático xiita, após quase duas semanas de um movimento inicialmente ligado ao descontentamento com o alto custo de vida.

Com os olhos irritados pelo gás lacrimogêneo e a garganta afetada depois de gritar palavras de ordem nas ruas, um vendedor de telefones celulares que não foi identificado, afirmou aos jornalistas acreditar que os protestos não vão terminar.

“Sabemos que arriscamos nossas vidas, mas mesmo assim fazemos isso e continuaremos fazendo, por um futuro melhor”, disse o manifestante.

O movimento ocorre em 25 das 31 províncias do país, segundo um levantamento da AFP. Ao menos 21 pessoas morreram nos protestos, segundo comunicados oficiais. Porém, a ONG Iran Human Rights confirmou 51 mortes nos primeiros 13 dias desta nova onda de protestos.

Trata-se dos maiores protestos no Irã desde os registrados em 2022 após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente usar o véu de forma inadequada.

As manifestações acontecem em um momento em que o Irã está enfraquecido após a guerra com Israel e os golpes sofridos por vários de seus aliados regionais.

Em paralelo, a ONU restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear do país em setembro do ano passado.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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