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EUA: governo Trump divulga recorde de prisões de imigrantes em agosto

Departamento de Segurança Interna divulgou que 50.925 imigrantes foram detidos ao longo do último mês; imprensa internacional alerta para o crescimento das prisões de imigrantes sem antecedentes criminais

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Agentes federais detêm manifestante em Saint Paul, Minnesota, em 8 de janeiro de 2026
Agentes federais detêm manifestante em Saint Paul, Minnesota, em 8 de janeiro de 2026 • OCTAVIO JONES / AFP

O número de detenções de imigrantes nos Estados Unidos alcançou um novo recorde em agosto. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), órgão ao qual o ICE está vinculado e responsável por implementar a política anti-imigração do governo Trump, divulgou que 50.925 imigrantes foram detidos ao longo do último mês.

É o maior registro de prisões em um só mês desde que o governo dos Estados Unidos iniciou uma política de caça e deportação de cidadãos estrangeiros que vivem em território estadunidense de maneira irregular. O secretário do DHS, Markwayne Mullin, comemorou o recorde:

"Isso é a prova de promessas feitas e cumpridas na prática. Sob a liderança do presidente Trump, o ICE trabalha incansavelmente, todos os dias, para deter e deportar imigrantes ilegais das comunidades americanas", disse. "Se você está no país ilegalmente, vá embora agora", acrescentou Mullin.

Ainda assim, o número alcançado no mês de agosto ainda está abaixo da meta inicial estabelecida pelo próprio Donald Trump, ao retornar à Casa Branca. O republicano havia determinado que o ICE detivesse, por ano, cerca de 1 milhão de pessoas. Entretanto, em 2025, o número total foi de 328 mil detenções, de acordo com dados do próprio ICE divulgado pela imprensa norte-americana.

Recorde pode estar ligado a prisões ilegais

O jornal The New York Times divulgou, na última semana, que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) bateu o recorde de prisões, associando com o crescimento das detenções de imigrantes sem antecedentes criminais.

Ainda de acordo com a imprensa internacional, a maioria dos detidos em julho "era composta por pessoas acusadas de violar leis civis de imigração, mas que não haviam sido denunciadas nem condenadas por crimes (...). A proporção daqueles com condenação anterior por crime violento caiu para menos de 4%".

A Casa Branca mantém uma parte do site dedicada à uma lista de condenados que foram detidos e deportados. Entretanto, omite o fato de que pessoas sem condenação também são detidas.

Metas de detenções

Desde que retornou à Presidência, Donald Trump estabeleceu uma meta de 300 imigrantes presos por dia, número considerado alto por especialistas. Como consequência, o número de imigrantes mantidos em prisões do ICE cresce na velocidade mais rápida desde a fundação da agência em 2003 — quando era possível manter apenas 7 mil imigrantes presos por vez.

Os agentes de imigração têm enfrentado dificuldades para atingir a meta estabelecida por Trump e, ao longo dos meses escopo de busca e de imigrantes visados aumentou. Agora, qualquer imigrante que esteja ilegal nos EUA poderá ser preso caso identificado por agentes do ICE — não somente os que tenham cometido crime, como inicialmente prometido.

Ações do ICE durante governo Trump

Em 2026, dois cidadãos estadunidenses foram mortos a tiros por agentes do ICE. A discussão sobre violência associada ao ICE envolve denúncias organizadas por ONGs de direitos humanos, relatos de imigrantes detidos e a contestação dessas acusações pelo próprio governo e defensores da agência.

Quem são algumas das pessoas mortas por agentes do ICE em 2026:

  • Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE, em Minneapolis, capital do Minnesota.
  • Alex Pretti, também de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo de Donald Trump.
  • Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos, morreu após levar tiros de um agente do ICE no Maine. Ele havia autorização para trabalhar nos EUA.
  • Lorenzo Salgado Araújo, um mexicano de 52 anos, que vivia há anos em Houston, no Texas, também morreu durante uma abordagem pelo Serviço de Imigração e Alfândega do país.

Um levantamento da agência Reuters apontou que 50 pessoas morreram em instalações do ICE desde o início do segundo mandato de Donald Trump.

Cidadãos manifestaram conta ações violentas do ICE nos Estados Undios • Octavio Jones / AFP
Cidadãos manifestaram conta ações violentas do ICE nos Estados Undios • Octavio Jones / AFP
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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