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Influenciador britânico e apoiador de Trump relata deportação dos EUA: 'humilhante'

Conhecido pelos posicionamentos abertamente antifeministas, anti-islã, Milo Yiannopoulos foi preso pelo ICE e deportado na semana passada; governo dos EUA afirmou que o britânico vivia de forma irregular no país

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Milo Yiannopoulos ficou conhecido pelos posicionamentos antifeministas, anti-islã e opostos a pautas de justiça social
Milo Yiannopoulos ficou conhecido pelos posicionamentos antifeministas, anti-islã e opostos a pautas de justiça social • Reprodução

O influenciador de extrema-direita britânico Milo Yiannopoulos — conhecido por ser defensor da política anti-imigração de Donald Trump — disse ter sido tratado com "brutalidade" pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). O homem de 41 anos foi mandado de volta ao Reino Unido pelos Estados Unidos na semana passada.

Milo Yiannopoulos foi detido na última sexta-feira (28) em um aeroporto no estado da Lousiana. Ele estava em Nova Orleans para comparecer a um show do cantor Kanye West — artista que já compartilhou declarações antissemitas e fez apologia ao nazismo anteriormente. Em seguida, foi deportado. O governo dos EUA afirmou que o britânico vivia de forma irregular no país.

O influenciador se pronunciou pela primeira vez na terça-feira (1º) em entrevista à TV britânica. Na ocasião, ele relatou a detenção e a deportação e disse ter ficado "com muito, muito medo" dos agentes do ICE. "Não tinha ideia de como a brutalidade estava institucionalizada nos Estados Unidos", acrescentou.

"Eles colocam algemas, nas suas mãos e pés, e encadeiam tudo junto. Parece que todo mundo que é preso é membro de uma gangue. E dói muito mais do que parece na televisão, Eu senti o que é ter muito, muito medo", relatou Yiannopoulos.

Durante a entrevista, ele descreveu a experiência como "humilhante" e "desorientada", contando ter sido transferido de um centro de detenção aoutro sem qualquer informação. "Eu sei que é feito para ser assim, mas é muito amendrontador".

Conhecido por ser defensor de Trump e da política anti-imigração do republicano, o influenciador voltou atrás e criticou o governo estadunidense. "Me admira ver vários setores do governo dos Estados Unidos se alinharem com uma mentira", disse, em referência à justificativa dada pela Casa Branca para a deportação dele.

Britânico vivia de forma irregular nos EUA

O Departamento e Segurança Interna dos Estados Unidos, órgão ao qual o ICE está vinculado, alegou que Milo Yiannopoulos entrou legalmente nos EUA em maio de 2019 mas "optou por permanecer no país além do prazo permitido" violando as leis do país.

Entretanto, na entrevista à TV britânica, o influenciador negou. "Eu sou casado com um americano. Não há nenhuma razão pela qual eu faria isso (ficar nos EUA de forma irregular)", afirmou.

Yiannopoulos vivia nos Estados Unidos havia dez anos e disse, que após se casar, obteve o "green card" — visto de trabalho e residência a que pessoas casadas com cidadãos norte-americanos têm direito.

Quem é Milo Yiannopoulos?

Milo Yiannopoulos é um comentarista político e provocador britânico associado à extrema-direita e ao movimento alt-right nos Estados Unidos. Ele ficou mundialmente conhecido pelos posicionamentos abertamente antifeministas, anti-islã e opostos a pautas de justiça social.

O homem de 41 anos ganhou forte notoriedade entre 2014 e 2016 como editor do portal conservador Breitbart News. Ele foi banido do antigo Twitter, em 2016, após liderar uma intensa campanha de assédio virtual contra a atriz Leslie Jones. Nos anos seguintes, também foi banido do Facebook e de outras grandes plataformas.

Embora tenha sido abertamente homossexual durante a maior parte da ascensão pública, declarou-se "ex-gay" em 2021 e passou a arrecadar fundos para promover terapias de conversão sexual. Vale ressaltar que não há nenhuma comprovação científica para tal prática.

Na foto, Milo Yiannopoulous • Reprodução/Redes Sociais
Na foto, Milo Yiannopoulous • Reprodução/Redes Sociais

Influenciador defendia a atuação do ICE

No ano passado, Yiannopoulos demonstrou apoio ao ICE. "A Califórnia precisa de postos de controle do ICE nas entradas de supermercados, postos de gasolina, centros comerciais, cruzamentos e prédios governamentais, com deportação imediata para qualquer pessoa que não possa comprovar que está legalmente nos EUA", escreveu nas redes sociais.

Em setembro de 2025, o influenciador também defendeu que agentes do ICE tivessem imunidade legal.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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