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EUA: ICE bate recorde de prisões e imigrantes sem antecedentes criminais são detidos

Mais de 60 mil pessoas estão em prisões do Serviço de Imigração e Alfândega, segundo o 'The New York Times'; menos de 4% dos detidos são condenados por crimes violentos

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ICE tem feito operações frequentes contra imigrantes
ICE tem feito operações frequentes contra imigrantes • Divulgação/ ICE

O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) bateu o recorde de prisões, passando dos 60 mil, segundo divulgado pelo The New York Times — que disse ainda que o aumento está ligado à detenção de pessoas sem antecedentes criminais.

A informação faz parte de um levantamento do jornal estadunidense, publicado na quinta-feira (27), citando ter obtido documentos internos do ICE que comprovam o número recorde. A fim de comparação, em janeiro havia aproximadamente 39 mil pessoas em prisões destinadas a imigrantes.

O segundo mandato de Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos tem como um dos principais objetivos o combate à imigração ilegal. Neste sentido, a estatística comprova que o republicano intensificou a política em comparação, inclusive, com o primeiro mandato — quando 55.654 foram imigrantes presos.

Porém, o que tem acontecido nos últimos meses é o crescimento das detenções de imigrantes sem antecedentes criminais. A reportagem divulgada pelo The New York Times indica que a maioria dos detidos em julho "era composta por pessoas acusadas de violar leis civis de imigração, mas que não haviam sido denunciadas nem condenadas por crimes (...). A proporção daqueles com condenação anterior por crime violento caiu para menos de 4%".

A Casa Branca mantém uma parte do site dedicada à uma lista de condenados que foram detidos e deportados. Entretanto, omite o fato de que pessoas sem condenação também são detidas.

Metas de detenções

Desde que retornou à Presidência, Donald Trump estabeleceu uma meta de 300 imigrantes presos por dia, número considerado alto por especialistas. Como consequência, o número de imigrantes mantidos em prisões do ICE cresce na velocidade mais rápida desde a fundação da agência em 2003 — quando era possível manter apenas 7 mil imigrantes presos por vez.

Os agentes de imigração têm enfrentado dificuldades para atingir a meta estabelecida por Trump e, ao longo dos meses escopo de busca e de imigrantes visados aumentou. Agora, qualquer imigrante que esteja ilegal nos EUA poderá ser preso caso identificado por agentes do ICE — não somente os que tenham cometido crime, como inicialmente prometido.

Na tentativa de justificar a prática, o czar da fronteira, Tom Homan, afirmou nos últimos meses que o crime cometido por essas pessoas é "ter entrado de forma ilegal nos EUA".

Manifestantes entram em combate com a polícia durante protesto nos EUA • Octavio Jones / AFP
Manifestantes entram em combate com a polícia durante protesto nos EUA • Octavio Jones / AFP

Ações do ICE durante governo Trump

Em 2026, dois cidadãos estadunidenses foram mortos a tiros por agentes do ICE. A discussão sobre violência associada ao ICE envolve denúncias organizadas por ONGs de direitos humanos, relatos de imigrantes detidos e a contestação dessas acusações pelo próprio governo e defensores da agência.

Quem são algumas das pessoas mortas por agentes do ICE em 2026:

  • Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE, em Minneapolis, capital do Minnesota.
  • Alex Pretti, também de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo de Donald Trump.
  • Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos, morreu após levar tiros de um agente do ICE no Maine. Ele havia autorização para trabalhar nos EUA.
  • Lorenzo Salgado Araújo, um mexicano de 52 anos, que vivia há anos em Houston, no Texas, também morreu durante uma abordagem pelo Serviço de Imigração e Alfândega do país.

Um levantamento da agência Reuters apontou que 50 pessoas morreram em instalações do ICE desde o início do segundo mandato de Donald Trump.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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