Irã diz que pode reabrir Estreito de Ormuz após medidas dos EUA
Teerã afirmou que os Estados Unidos precisam adotar medidas práticas para atender às condições impostas pelo país

Autoridades do Irã e do Catar realizaram uma série de reuniões nesta quinta-feira (27), em meio às tensões no Oriente Médio. Durante os encontros, Teerã afirmou que os Estados Unidos precisam adotar medidas práticas para atender às condições impostas pelo país antes que o Estreito de Ormuz seja reaberto.
A declaração foi feita pelo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, durante reunião com o ministro das Relações Exteriores e primeiro-ministro do Catar, Mohammed Abdulrahman Al-Thani, segundo a agência iraniana Fars.
Rezaei afirmou que o Irã não confia nos Estados Unidos e acusou o governo norte-americano de descumprir compromissos diplomáticos. "Não confiamos nos Estados Unidos, eles têm traído repetidamente a diplomacia e as negociações", declarou.
O secretário iraniano também fez uma ameaça em caso de uma nova ação militar dos EUA. Segundo ele, qualquer ofensiva contra o Irã provocaria uma resposta que atingiria interesses militares e econômicos norte-americanos.
Catar sinaliza disposição para cooperar com o Irã
Durante as reuniões, representantes do Catar afirmaram que o país está disposto a ampliar a cooperação com o Irã, inclusive nas áreas de eletricidade e energia. Doha também destacou o potencial para fortalecer as relações bilaterais.
Al-Thani ainda se reuniu com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e saudou o entendimento entre Irã e Omã sobre o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Segundo a agência Tasnim, o primeiro-ministro catari afirmou que os recentes avanços diplomáticos podem contribuir para a retomada da estabilidade na região.
Ghalibaf, por sua vez, criticou o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para ele, Washington estaria tomando decisões equivocadas com base em informações incorretas, o que poderia ampliar a insegurança no Oriente Médio.
Irã e Catar defendem estabilidade regional
Al-Thani também se encontrou com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. De acordo com a Fars, o Catar afirmou que, apesar dos recentes acontecimentos, mantém uma relação de respeito com o Irã e pretende contribuir para a recuperação da estabilidade regional.
Pezeshkian defendeu uma maior união entre os países muçulmanos. Segundo o presidente iraniano, o desenvolvimento, a segurança e a dignidade do mundo islâmico dependem da união entre os países da região.
O estreitamento das relações entre Teerã e Doha ocorre em uma semana de aumento das pressões de Washington contra países que mantêm relações com o Irã. Os Estados Unidos ameaçaram retirar do sistema internacional do dólar países que não rompam laços com os iranianos.
Na mesma quinta-feira, o Paquistão afirmou que não pretende adotar as sanções contra o Irã, a menos que uma determinação seja aprovada pelas Nações Unidas.
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