Irmãs de BH criam primeiro game brasileiro sobre skate, conheça ‘No Comply’

Desenvolvido por Gabriela e Mariana Barbosa, jogo aposta na cultura urbana, na diversidade e conta com participação de skatistas profissionais

No Comply será lançado no segundo semestre de 2026

O skate, modalidade que ganhou projeção nacional após a entrada no programa olímpico, ganhará seu primeiro game desenvolvido no Brasil. Batizado de “No Comply”, o jogo é criação das irmãs Gabriela Barbosa (22) e Mariana Barbosa (25), artistas de Belo Horizonte, e tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2026.

O projeto nasce com a proposta de valorizar o skate como expressão cultural e contribuir para a desestigmatização da prática, que ainda enfrenta preconceito social. O desenvolvimento é conduzido pela Slimbi, produtora audiovisual fundada pelas irmãs em 2023, com atuação ligada à cultura urbana, incluindo documentários e videoclipes relacionados ao skate.

Como funciona o jogo

“No Comply” é classificado como um jogo casual e de ação, em perspectiva 2D com rolagem lateral, estruturado no formato de corrida infinita. O jogador controla um skatista que percorre a cidade enquanto tenta não ser capturado por um segurança, permanecendo em movimento pelo maior tempo possível.

O título do game faz referência direta a uma manobra clássica do skate, popularizada nos anos 1980. O jogo será lançado como aplicativo para celular, com acesso gratuito e sem propagandas intrusivas, decisão que, segundo as criadoras, busca ampliar o alcance do projeto no Brasil.

Gabriela Barbosa explica que a escolha pelo mobile foge do padrão do mercado indie nacional, mas dialoga com a realidade do público brasileiro, onde consoles e PCs ainda não são amplamente acessíveis.

“A escolha de desenvolver um jogo para smartphones é incomum no mercado indie brasileiro, mas ao tratar da desestigmatização do skate e celebração da cultura urbana brasileira, seria injusto lançar o produto para computadores ou consoles, que ainda não são amplamente acessíveis para os consumidores do nosso país”, disse.

Representatividade e customização

Além de ser o primeiro game brasileiro focado no skate, o projeto se destaca por ser desenvolvido por duas jovens mulheres, em um segmento historicamente dominado por homens, tanto no esporte quanto na indústria de jogos.

A diversidade é um dos pilares do “No Comply”. O jogo conta com um sistema amplo de customização de personagens, sem associação a gênero específico. Os jogadores podem escolher livremente nome, aparência e estilo, com uma extensa variedade de tons de pele, olhos e cabelo, além de 14 penteados diferentes.

Gabriela Barbosa (esq.) e Mariana Barbosa (dir.), irmãs criadoras do ‘No Comply’

Na versão inicial (0.1.1), já estão disponíveis 121 peças de roupa, o que gera mais de 2,27 bilhões de combinações possíveis. Gabriela, que iniciou o desenvolvimento do jogo em 2024, aos 20 anos, afirma que a liberdade de criação foi uma escolha central do projeto, mesmo tendo elevado o custo e o tempo de produção.

Skatistas profissionais no elenco

O “No Comply” reúne 11 skatistas profissionais de diferentes modalidades, incluindo paraskate. O grupo é diverso e conta tanto com atletas olímpicos reconhecidos internacionalmente quanto nomes do cenário underground. Todos os skatistas participantes estarão disponíveis como personagens jogáveis e colaboraram criativamente com o desenvolvimento.

O jogo também envolve dois artistas visuais, sendo um pixador e um grafiteiro, além de um narrador que atua como dublador e também é skatista, ampliando a conexão com a cultura urbana brasileira.

Apoios e parcerias

O projeto foi contemplado pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) em Minas Gerais, com recursos do Governo Federal. Além disso, conta com parcerias da Cavepool, maior comunidade de skate do Brasil, da revista Cemporcentoskate, publicada desde 1995, e com o apoio da ESPM, que atua como incubadora do projeto.

Atualmente, uma demo do “No Comply” está disponível para um grupo restrito de testes. A versão final segue em desenvolvimento, com foco tanto no aprimoramento da jogabilidade quanto na ampliação de parcerias com agentes culturais.

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta dos e-sports

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