Lula aposta em candidatos de Centro na tentativa de burlar o antipetismo

Com essa estratégia, o presidente também economiza recursos do Fundo Eleitoral

Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem uma estratégia clara para a composição de seus palanques estaduais. Em primeiro lugar, o petista deve investir em candidaturas de aliados de partidos de Centro.

Ao optar por candidatos fora do Partido dos Trabalhadores, Lula resolve dois problemas: diminui a quantidade de recursos do fundo eleitoral na campanha e dribla, pelo menos em parte, o antipetismo.

Aliados do presidente afirmam que a campanha presidencial é prioridade; por esse motivo, deve sobrar menos verba para as candidaturas nos estados. Escolher candidatos de partidos ricos e que sejam aliados é uma forma de liberar caixa para o PT e apostar em nomes competitivos onde a legenda do presidente não tem expoentes.

Leia também

Ao mesmo tempo, o presidente neutraliza, em parte, a terceira maior força política do Brasil, depois do lulismo e do bolsonarismo: o antipetismo. Nesse espectro, em uma perspectiva, alguns candidatos abraçarão o presidente durante a campanha e farão um palanque ativo.

Em outra seara, estão aqueles que vão flertar com o presidente na campanha, mas não devem colocar os dois pés na canoa. O alinhamento público virá apenas depois das eleições, se ambas as partes forem vencedoras. É uma forma de Lula fazer frente aos adversários políticos e aumentar a base sem fazer alarde e sem enfraquecer aliados.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

Ouvindo...