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Startup quer transformar grãos em ativos digitais com blockchain

A produção vai ser lastreada pelos próprios grãos

Soja será um dos primeiros grãos digitalizados no país

Representações digitais de soja, trigo e milho em blockchain começam a estar disponíveis aqui no Brasil. Esse processo é conhecido como tokenização e a startup argentina Agrotoken, recém-chegada ao país, quer transformar o agronegócio brasileiro com o conceito — e o objetivo é tokenizar até a produção de carne nacional. 

A empresa opera na Argentina, no Brasil e já tem expansão prevista para os EUA. Com isso, a tokenização da soja pela Agrotoken deve englobar boa parte da produção global: os três países são os maiores produtores do grão no mundo. Eduardo Novillo Astrada, CEO e cofundador da startup, conta que quer chegar aos pequenos e médios produtores rurais, às cooperativas e aos distribuidores.

A ideia é apresentar o modelo de negócio a eles e como o conceito deve facilitar o acesso a crédito digital e possibilitar a democratização no campo. “A tecnologia da Agrotoken vai permitir realizar diversas operações por meio de ‘grãos digitais’: de pagamentos cotidianos a compras de grandes insumos e equipamentos. Além disso, os clientes poderão fazer consultoria em tempo real sobre o índice de valor de grãos e solicitar empréstimos”, aponta. 

A primeira operação em território nacional contou com a parceria da plataforma brasileira AgroGalaxy. O objetivo da Agrotoken é digitalizar cerca de 100 mil toneladas de grãos no Brasil até o fim do ano. Para 2023, a meta é tokenizar 1 milhão de toneladas. Por aqui, o agronegócio representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Lastro em ativos físicos

Os tokens da startup são lastreados por ativos físicos, o que reforça sua garantia financeira. O valor é o mesmo tem todo o território nacional, independentemente de onde e por quem o token for emitido. “Isso permite a utilização em frações negociáveis em todas as regiões e em toda a rede varejista e industrial que aceita o Agrotoken", diz Anderson Nacaxe, diretor da Agrotoken no Brasil, à revista Exame.

A companhia busca os investidores de varejo, que poderão aplicar diretamente na commodity de sua escolha quando o mercado para tokens lastreados em grãos estiver em funcionamento. No pagamento, poderão ser utilizados criptoativos — para isso, a Agrotoken se uniu à Visa.

Atualmente, a companhia tem um grupo de comerciantes conveniados. A partir da parceria com a Visa, os produtores que tokenizarem suas safras terão acesso à rede da operadora de cartões, muito mais ampla. A Visa vai oferecer aos usuários da plataforma um cartão de débito com lastro nos criptoativos obtidos com a tokenização dos grãos.

Tokenização do agronegócio já está em andamento

Nacaxe destaca que o conhecimento da tecnologia não é essencial. “Quando explicamos que o processo de tokenização leva a safra do produtor para o ambiente digital, ele já fica interessado”, conta. “O produtor não precisa saber o que é um blockchain ou como a tecnologia funciona. Só precisa saber usá-la, e a plataforma é simples e intuitiva", explica.

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