Tarifaço de Trump faz exportações para os EUA caírem 6,6% em 2025
Resultado ruim na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos foi impactado pela sobretaxa de 40% aos produtos brasileiros

Números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados nesta terça-feira (6), revelam que as exportações brasileiras para os Estados Unidos tiveram uma queda de 6,6% em 2025. Foram vendidos para os americanos o equivalente a US$ 37,7 bilhões no ano passado, ante US$ 40,3 bilhões em 2024.
O resultado se dá em um contexto afetado por sobretaxas que somadas chegaram a 50%. Assim que assumiu o mandato, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa de 10% básica para quase todos os parceiros comerciais dos americanos, com o objetivo de fortalecer a produção local.
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Porém, em julho, o Brasil foi alvo de uma sobretaxa de 40% sobre centenas de produtos importantes da pauta do comércio bilateral, incluindo café, carne e outros produtos do agro e da indústria. Na época, Trump usou como justificativa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal e decisões do ministro Alexandre de Moraes contra empresas americanas.
O resultado no final do ano foi um déficit de US$ 7,5 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos em 2025, após meses consecutivos de resultados ruins. As importações de produtos americanos cresceu 11,3% de janeiro a dezembro, saltando de US$ 40,65 bilhões para US$ 45,25 bilhões.
Em novembro, Trump anunciou a retirada da tarifa adicional de 40% para uma série de produtos, em especial do Agro. A medida fez com que as exportações saíssem de uma queda de 35,4% em outubro, para uma queda de apenas 7,2% em dezembro. Porém, o governo estima que 22% da pauta exportadora ainda é afetada pelas tarifas. “O trabalho de redução continua”, disse o ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
“Em relação à questão comercial, o presidente Lula tem um bom relacionamento com o presidente Trump e pode avançar ainda mais. Podemos ter um ganha-ganha, tanto na questão tarifária, como não tarifária, em terras raras, datacenters. Podemos ter a aprovação da Redata [regime especial para centros de dados], que estimula investimentos”, afirmou Alckmin.
China e outros parceiros
Enquanto as vendas para os EUA caem, o embarque de produtos brasileiros para a China cresceu quase 6%, consolidando o gigante asiático como o principal parceiro comercial do Brasil. De janeiro a dezembro de 2025, as exportações cresceram de US$ 94,37 bilhões para US$ 100 bilhões.
“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos. O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior, sobretudo com a Nova Indústria Brasil (NIB) e com o Plano Brasil Soberano”, disse Alckmin.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



