Setor de calçados em Nova Serrana alerta para impactos do fim da escala 6x1

Setor produtivo teme que redução na jornada máxima de 44 para 36 horas semanais possa aumentar custos e causar demissões

Mudança na jornada máxima de trabalho está no foco do Congresso Nacional em 2026

O projeto de lei que pode acabar com a escala de trabalho de 6 dias para 1 de descanso deve ser um dos focos do Congresso Nacional em 2026, logo com o fim do recesso parlamentar. O tema polêmico gera muitas dúvidas, tanto entre trabalhadores, quanto entre empresários, uma vez que promove uma mudança grande na Constituição ao reduzir a jornada máxima de 44 para 36 horas semanais.

Para Júlio César Silva, diretor de uma fábrica de calçados em Nova Serrana, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, o problema em si não é a redução do número de dias trabalhados, mas sim a carga horária semanal.

“Hoje nós trabalhamos de segunda a sexta-feira. Até quinta-feira trabalhamos nove horas, e na sexta oito horas, completando a jornada de 44 horas semanais. Se houver essa mudança na escala 6x1 sem haver redução no número de horas trabalhadas semanalmente, não é um problema. O que nos preocupa é a redução da jornada, uma vez que o governo fala em reduzir para 36 horas. Isso vai ter um impacto muito grande, porque 30% do nosso custo é referente a mão de obra”, explicou.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria Calçadista de Nova Serrana, Rodrigo Barão, a mudança pode afetar diretamente os consumidores mais pobres e até mesmo causar desemprego. “A gente entende que, no primeiro momento, é uma medida que beneficia as pessoas”, disse.

“Mas a gente sabe que no final vai acarretar em um aumento muito grande nos custos de insumos, que vão ser repassados para o consumidor final. Ele vai sentir no bolso essa inflação decorrente da diminuição da carga horária trabalhada. Os consumidores de classes C e D vão ser os mais afetados, porque as empresas vão repassar esses custos. Elas não tem condições de absorver a diferença. Isso pode acarretar no efeito contrário”, explicou Barão.

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As discussões do projeto devem ser retomadas no início de fevereiro, na volta dos trabalhos dos legislativos. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já sinalizou que vai endossar a medida.

Ainda de acordo com Júlio César Silva, a discussão para a redução da jornada de trabalho precisa ser feita de forma mais detalhada. Segundo ele, o ideal seria discutir uma forma de remunerar melhor os trabalhadores de acordo com as horas trabalhadas, como já ocorre em outros países.

“O governo precisa deixar que houvesse uma negociação coletiva entre indústria e sindicatos dos trabalhadores, para que possa haver uma forma melhor de remunerar os trabalhadores, como ocorre em países em que não existe essa carga horária mínima ou máxima. Hoje nós temos um apagão de mão de obra, se reduzir o número de horas a situação pode diminuir mais ainda. Qualquer mudança precisa ser observada com cada setor”, disse.

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