Segurança cibernética: como proteger redes industriais contra ataques digitais

Convergência entre TI e automação exige estratégias específicas de proteção, aponta analista de Tecnologia do Senai-MG

Integração entre sistemas industriais e digitais amplia a necessidade de proteção das redes de automação

A ampliação da conectividade nos ambientes industriais tem elevado o nível de exposição das redes operacionais a ataques cibernéticos. Com a integração entre sistemas de Tecnologia da Informação (IT) e Tecnologia Operacional (OT), as ameaças se tornaram mais frequentes e sofisticadas, exigindo das empresas uma abordagem estruturada de segurança para evitar paradas produtivas, falhas de segurança e prejuízos operacionais.

De acordo com Rodrigo Lucas Santos, analista de Tecnologia do Senai-MG, as redes industriais enfrentam hoje riscos que vão além dos ataques tradicionais observados em ambientes corporativos. Entre os principais vetores estão ransomwares voltados especificamente para sistemas industriais, capazes de interromper processos de controle antes mesmo da criptografia dos dados, além de ataques do tipo man-in-the-middle que exploram protocolos industriais sem autenticação nativa, como Modbus, DNP3 e Profinet.

Rodrigo também destaca a exploração de sistemas legados como um ponto crítico. Dispositivos com firmware desatualizado, sistemas operacionais sem suporte e vulnerabilidades conhecidas ampliam a superfície de ataque. Somam-se a esse cenário as ameaças persistentes avançadas (APTs), que podem permanecer latentes por longos períodos, e os ataques à cadeia de suprimentos, envolvendo atualizações de software ou firmware de terceiros comprometidas.

Identificação de vulnerabilidades e segmentação de redes

Segundo o analista do Senai-MG, a identificação precoce de vulnerabilidades é um passo essencial para reduzir riscos. Esse processo pode incluir a descoberta passiva de ativos, com ferramentas que monitoram o tráfego de rede sem interferir nos processos industriais, além da gestão de vulnerabilidades contextualizada, que considera não apenas a gravidade técnica, mas também a criticidade operacional de cada ativo.

Rodrigo explica que avaliações baseadas na norma IEC 62443 ajudam a estruturar a segurança por meio da definição de zonas, conduítes e níveis de proteção, permitindo comparar o nível de segurança esperado com o efetivamente implementado. O monitoramento contínuo de configurações e a realização de testes de intrusão em ambientes de homologação também contribuem para antecipar falhas antes que se tornem incidentes.

A segmentação de rede é apontada como um dos pilares da proteção em ambientes conectados. Modelos como o Purdue/ISA-95 organizam os sistemas em camadas, separando processos físicos, controle, supervisão e sistemas corporativos. Outras práticas incluem a criação de zonas desmilitarizadas industriais (DMZs), a microsegmentação com firewalls industriais e o uso de dispositivos que garantem fluxo unidirecional de dados em cenários que exigem maior nível de segurança.

Capacitação e novas tecnologias de defesa

O treinamento das equipes também tem papel central na detecção de incidentes. Conforme Rodrigo Lucas Santos, operadores, engenheiros e profissionais de segurança precisam ser capacitados para reconhecer sinais específicos de anomalias em processos, alterações em lógicas de controle e acessos fora dos padrões esperados. Simulações de incidentes, laboratórios práticos e o incentivo a uma cultura de reporte contribuem para respostas mais rápidas e eficazes.

No campo tecnológico, soluções emergentes vêm reforçando a proteção das redes industriais. Entre elas estão sistemas de detecção baseados em machine learning, capazes de identificar comportamentos anômalos, plataformas de correlação e resposta a incidentes adaptadas ao ambiente OT, além de conceitos como Zero Trust e gêmeos digitais de segurança, que permitem testar cenários de ataque sem impactar a produção.

Para o analista do Senai-MG, a combinação entre tecnologia, processos bem definidos e capacitação contínua é determinante para que as indústrias consigam operar de forma segura em um contexto cada vez mais conectado.

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Erem Carla é jornalista com formação na Faculdade Dois de Julho, em Salvador. Ao longo da carreira, acumulou passagens por portais como Terra, Yahoo e Estadão. Tem experiência em coberturas de grandes eventos e passagens por diversas editorias, como entretenimento, saúde e política. Também trabalhou com assessoria de imprensa parlamentar e de órgãos de saúde e Justiça. *Na Itatiaia, colabora com a editoria de Indústria.

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