Itatiaia

Soberania, atração de investimentos e geração de emprego’: os efeitos da política de minerais críticos

Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos busca ampliar investimentos, industrialização e pesquisa no país

Por
Imagem de máquina em Mineração
Política de minerais críticos pode ampliar investimentos e industrialização no Brasil, diz especialista • Freepik

Sancionada em setembro pelo presidente Lula (PT), a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) pode ampliar a industrialização e a agregação de valor aos minerais produzidos no Brasil. Para Germano Luiz Gomes Vieira, advogado e especialista no setor mineral, a política também pode atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a pesquisa nacional.

Entre 2026 e 2030, o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) prevê US$ 77 bilhões em investimentos no setor, sendo 21,3% destinados aos minerais críticos e estratégicos. Segundo Germano, a política pode dar mais segurança jurídica aos investidores e ajudar a tirar projetos do papel.

“Desse investimento, cerca de 21,3% é voltado para os minerais críticos. Então, a gente verá como consequência direta investimentos em mineração de minerais estratégicos.”

Industrialização e agregação de valor

Um dos principais objetivos, segundo o especialista, é evitar que o Brasil mantenha o modelo de exportação de commodities brutas. A proposta é ampliar o processamento nacional de minerais usados na transição energética, como lítio, terras raras, níquel e grafita.

“Com os minerais críticos nós queremos essa independência de poder também trabalhar essa industrialização no país.”

A política também prevê R$ 5 bilhões em incentivos fiscais entre 2030 e 2034 para indústrias instaladas no Brasil que utilizem minerais estratégicos como insumos.

Crédito e pesquisa

Outro mecanismo previsto é um fundo garantidor de R$ 2 bilhões, que poderá facilitar o acesso ao crédito para empresas em fase inicial de pesquisa, inclusive junto ao BNDES.

“Você precisa de fundos garantidores. (...) Então, com o fundo garantidor nacional fica muito mais fácil e a influência brasileira fica muito maior", diz.

A política também estabelece investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Nos primeiros seis anos, empresas produtoras deverão destinar 0,3% da receita operacional para P&D. A partir do sétimo ano, o percentual passa para 0,5%.

Para Germano, a medida pode fortalecer universidades e centros de pesquisa e ampliar a demanda por profissionais especializados.

“Nós vamos precisar de mais engenheiros florestais, civis, geólogos, geógrafos, hidrogeólogos e geotécnicos.”

Competitividade e soberania

A regulamentação prevê ainda a criação do Certificado Mineral de Baixo Carbono, voltado à rastreabilidade e às emissões dos processos de produção. A medida pode funcionar como diferencial para o mineral brasileiro no mercado internacional.

Outro ponto é o acompanhamento de operações envolvendo empresas estrangeiras. O Comitê Interministerial coordenado pela Casa Civil deverá acompanhar e homologar operações de alienação, participação relevante e acordos internacionais relacionados aos ativos estratégicos.

Segundo o especialista, a expansão do setor também pode aumentar a arrecadação da CFEM e gerar recursos para os municípios produtores.

“Quanto dinheiro começa a rodar. Quanto que a cidade tem de recursos da CFEM que vai ser gerada para poder ser investido.”

Por

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.

 

 

Belo Horizonte