Brasil tem potencial para produzir superímãs e se tornar referência mundial, mas esbarra na industrialização efetiva
Com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, especialistas apontam potencial brasileiro na industrialização e produção de ímãs; Minas Gerais tem enorme potencial

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas ainda não desenvolveu capacidade de transformar os minerais em produtos, como os ímãs. Especialistas indicam a possibilidade de o país se tornar referência na fabricação de superímãs. Para isso, investimentos são essenciais.
O coordenador do Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras do Senai, Eduardo Felipe Neves, explica:
“O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras, mas, quando se trata da produção de ímãs, hoje temos apenas o laboratório e a fábrica. Com essa tecnologia de produção, apenas a China, que concentra, por exemplo, 90% da produção desses materiais. O restante é dividido entre Alemanha, Japão e outros players de menor relevância em quantidade”.

Os ímãs vão além daqueles usados na porta da geladeira. Atualmente, versões menores e mais potentes, chamadas de superímãs, estão presentes em carros elétricos, turbinas eólicas, fones de ouvido sem fio, smartphones, notebooks, chips e equipamentos médicos. São fundamentais para diversas tecnologias do dia a dia.
Tecnologia em Minas
Para Jônatas Carneiro, pesquisador em geociências e coordenador executivo do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Minas Gerais tem enorme potencial nessa área.
“Na região de Poços de Caldas, tem possivelmente uma das maiores reservas de terras raras do mundo. Em Goiás, já se tem produzido terras raras e terras raras pesadas, importantes para a fabricação dos superímãs. E o que a gente precisa é de uma liga de ferro, boro e neodímio. Então, ferro a gente tem facilidade, boro a gente consegue também produzir. E o neodímio, que é a terra rara, também temos no subsolo. O nosso grande desafio é a verticalização e industrialização disso”, detalha.

Caíque Souza, pesquisador da Fundação Dom Cabral (FDC), defende uma indústria robusta para atender a essa expectativa.
“É claro que, para isso, na minha visão especificamente, a gente precisa ter uma indústria mineral também robusta, para que possamos ser competitivos na produção de ímã permanente, na produção das ligas metálicas que fazem os ímãs permanentes. Precisamos de um setor mineral robusto, competitivo também, uma produção mineral robusta”.

Confira a reportagem completa:
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.


