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Interesse da China na mineração brasileira reacende debate sobre soberania mineral

Empresas chinesas ampliam presença no setor, enquanto especialistas apontam desafios para o Brasil agregar valor aos minerais e fortalecer a própria cadeia produtiva

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Minerais críticos e estratégicos
Especialista aponta que a participação chinesa em projetos de mineração no Brasil ainda é relativamente pequena, mas deve aumentar nos próximos anos • Reprodução | Youtube Itatiaia

O interesse de empresas chinesas pela mineração brasileira coloca em evidência o debate sobre a soberania nacional na exploração de minerais críticos. Com investimentos já presentes no país, a participação da China no setor tende a crescer, segundo especialistas, em meio à disputa global pelo controle das cadeias de produção e transformação desses recursos.

De acordo com o diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC), Frederico Bedran, a participação chinesa em projetos de mineração no Brasil ainda é relativamente pequena, mas deve aumentar nos próximos anos.

“As últimas fusões e aquisições relevantes no mercado nacional foram feitas por empresas chinesas. Ainda assim, a participação efetiva da China no mercado de mineração brasileiro é um pouco tímida, mas tende a crescer cada vez mais”, afirma.

Diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC), Frederico Bedran • Reprodução Itatiaia
Diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC), Frederico Bedran • Reprodução Itatiaia

Um dos fatores que impulsionam a presença chinesa no setor é a capacidade do país asiático de agregar valor aos minerais, transformando-os em produtos. Esse domínio sobre as etapas de processamento e industrialização amplia a influência da China nas cadeias produtivas globais.

Para o CEO da CBL Mineração, que atua no Vale do Jequitinhonha, Vinícius Alvarenga, faltam políticas de impacto capazes de estimular investimentos e reduzir a dependência da cadeia produtiva chinesa.

“Não há uma política relevante que quebre uma análise meramente econômica contra os chineses. Ninguém vai investir apenas por uma análise econômica. Não é só no Brasil que isso está acontecendo, é no mundo todo. Todo mundo fala que quer uma cadeia China Free, livre do risco da dominância chinesa, mas ninguém está colocando dinheiro nisso. Está só na conversa”, avalia.

CEO da CBL Mineração, que atua no Vale do Jequitinhonha, Vinícius Alvarenga • Reprodução Itatiaia
CEO da CBL Mineração, que atua no Vale do Jequitinhonha, Vinícius Alvarenga • Reprodução Itatiaia

O pesquisador da Fundação Dom Cabral (FDC), Caíque Souza, aponta que a competitividade brasileira também contribui para atrair empresas chinesas. Segundo ele, a disponibilidade de energia a custos competitivos e a qualidade dos depósitos minerais são fatores que favorecem a exploração no país.

“O interesse, em geral, é ter acesso a produtos baratos. O que gera um produto barato é a matriz energética do país e o Brasil, em comparação com outros países e instituições, tem uma matriz energética competitiva. Além disso, há a qualidade do depósito, ou seja, ter ouro, volume, entre outros fatores, que também vão determinar o custo de extração e produção desse minério. Então, é atrás disso que a China vem”, explica.

Na avaliação do pesquisador, o Marco Legal dos Minerais Críticos, sancionado em setembro deste ano, pode contribuir para proteger a soberania mineral brasileira. A legislação também abre espaço para estimular a instalação de indústrias de transformação no país, de modo que os minerais sejam processados e convertidos em produtos no próprio território nacional.

“A Lei 15.516, dos minerais críticos, vem nessa direção: deixar claro para o mundo que o Brasil está aberto a receber investimentos de quem quer que seja, mas desde que esse parceiro esteja disposto a aprofundar o relacionamento e adensar as cadeias a jusante da etapa mineral aqui dentro do Brasil”, afirma.

Pesquisador da Fundação Dom Cabral (FDC), Caíque Souza • Reprodução Itatiaia
Pesquisador da Fundação Dom Cabral (FDC), Caíque Souza • Reprodução Itatiaia

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

 

 

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