Brasil ganha poder de negociação na corrida global por minerais críticos
Com reservas expressivas e demanda em alta, país tem oportunidade de atrair investimentos e transformar a exploração mineral em ganhos econômicos e sociais

A crescente demanda global por minerais críticos coloca o Brasil em posição estratégica nas negociações internacionais. Com reservas expressivas de recursos como nióbio, grafita, terras raras e níquel, o país tem a oportunidade de atrair investimentos e ampliar os ganhos econômicos com a exploração desses materiais, essenciais para diferentes setores industriais e para a transição energética.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) apontam para um crescimento significativo da demanda por minerais críticos até 2030. Nesse cenário, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação nesse mercado. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o país conta com cerca de 21 territórios cadastrados como depósitos de terras raras.
Para o professor e advogado especialista em Direito Ambiental Anaximandro Lourenço Azevedo Feres, a exploração desses recursos pode gerar benefícios para a sociedade brasileira, desde que parte da riqueza produzida permaneça no país e seja convertida em renda, emprego e desenvolvimento industrial.
“Esse mundo que a gente está entrando agora demanda algo que nós temos, que o Brasil tem, que o Estado brasileiro, que a nação brasileira tem. Então nós temos a oportunidade de fazer com que a exploração das terras raras reverta-se, como em outros países do mundo já foi feito isso na mineração como um todo, em prol da sociedade brasileira”, afirma.
Feres defende que parte dos lucros e das riquezas geradas pela atividade seja destinada ao desenvolvimento nacional, inclusive com a instalação de indústrias voltadas ao beneficiamento dos minérios.

O diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da Câmara Americana de Comércio do Brasil (Amcham), Fabrizio Panzini, também destaca a posição estratégica brasileira. Segundo ele, o país concentra reservas de minerais que devem registrar alta demanda nas próximas décadas.
“O Brasil tem uma posição estratégica. Essa posição vem das reservas expressivas: temos 75% das reservas mundiais de nióbio, 22% de grafita, 16% a 20% de terras raras e 16% de níquel, que vão ter uma demanda altíssima até 2050. Temos também uma indústria de mineração bastante consolidada, capacidade empresarial nessa área e um ambiente regulatório para a atividade mineradora que também é bastante importante”, explica.

Brasil no centro das negociações
A combinação entre reservas minerais, capacidade produtiva e perspectiva de crescimento da demanda pode fortalecer o poder de negociação do Brasil no mercado internacional. Para o economista e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC), Jorge Arbache, a escassez desses recursos e a procura crescente abrem espaço para que o país negocie condições mais vantajosas na comercialização.
“É por causa dessa grande demanda que se abre um espaço, um poder de barganha que o Brasil não tinha na época do café ou no caso da soja, do milho, da carne e de outras commodities que o Brasil produz e exporta. No caso desses minerais, pela sua escassez e pela crescente demanda, a gente tem essa oportunidade muito, muito especial”, afirma.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



