Mineração brasileira está pronta para atender à demanda global por minerais críticos, mas enfrenta desafios
Com o crescimento da demanda por recursos brasileiros, setor se prepara para ampliar o fornecimento global, mas esbarra na geração de empregos qualificados, na formação de mão de obra e na agregação de valor

Os dez principais projetos de minerais críticos no Brasil já somam quase R$ 40 bilhões em investimentos, segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME). Especialistas do setor projetam crescimento desse montante com a aprovação do Marco Legal dos Minerais Críticos.
O avanço está diretamente relacionado à corrida pela transição energética e à demanda por equipamentos eletrônicos e tecnológicos, fatores que ampliam o interesse internacional por minerais críticos e terras raras e valorizam as reservas brasileiras. O país tem potencial para atender a essa demanda de forma competitiva, sustentável e regulada, mas ainda precisa superar desafios para transformar a disponibilidade de recursos em desenvolvimento econômico.
Um dos principais entraves está na agregação de valor à produção mineral, como aponta o diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da Câmara Americana de Comércio do Brasil (Amcham), Fabrizio Panzini.
“Onde está nosso potencial, reserva, capacidade interna, mas nós não traduzimos esse potencial no valor mais agregado”, afirma. Segundo Panzini, o avanço do marco regulatório deve contribuir para criar condições para novos investimentos, com oferta de energia competitiva e infraestrutura adequada.

O conselheiro do Sindicato das Indústrias Extrativas de Minas (Sindiextra), Cristiano Parreiras, também defende a regulamentação dos minerais críticos e das terras raras. Para ele, o Brasil está próximo de aproveitar melhor o potencial desses recursos, desde que a legislação estabeleça regras que permitam o desenvolvimento da atividade sem criar obstáculos desnecessários.
“Para isso nós precisamos, sim, regulamentar, mas regulamentar com racionalidade a exploração desses recursos minerais para que nós possamos rapidamente acessá-los e, a partir daí, transformá-los em riqueza para toda a nossa sociedade”, diz.

Formação de mão de obra é outro desafio do setor
Além do ambiente regulatório e da necessidade de agregar valor à produção, a disponibilidade de profissionais qualificados é outro ponto de atenção para o crescimento da demanda por recursos minerais críticos. A expansão do setor exige trabalhadores qualificados para operar equipamentos e acompanhar o crescimento das empresas.
Uma das iniciativas voltadas a esse desafio é o projeto Elas na Operação, que busca qualificar mulheres para trabalhar na operação de máquinas pesadas. A proposta também procura ampliar a participação feminina em um segmento historicamente ocupado por homens.
O diretor operacional do Grupo Inova Construções e idealizador do projeto, Leandro Santos, afirma que a dificuldade para encontrar mão de obra qualificada é uma demanda recorrente entre as empresas. Segundo ele, a iniciativa foi estruturada em parceria com o Sindicatos da Indústria da Construção Pesada (SICEPOT) e conta com apoio acadêmico do SENAE.
“Dez a cada dez clientes, praticamente, têm muita dificuldade hoje com a atração de mão de obra qualificada para o setor. Então é daí que surge a ideia deste programa”, afirma Santos.
De acordo com o diretor, o projeto pretende contribuir para a formação de profissionais e atender às necessidades do mercado, ao mesmo tempo que amplia as oportunidades para mulheres na operação de máquinas pesadas nos setores de mineração e infraestrutura.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



