O Brasil é dependente ou exportador de minerais? Entenda
Apesar de exportar grandes volumes de minério, o Brasil ainda depende de importações de produtos processados e insumos industriais, como materiais para baterias, ímãs permanentes e fertilizantes

No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou cerca de 196,2 milhões de toneladas de produtos do setor mineral. O minério de ferro respondeu por 53,6% do total, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Apesar do peso das exportações, o país ainda depende de importações em etapas de maior valor agregado, como a produção de compostos químicos refinados, ligas especiais, metais de alta pureza, ímãs permanentes e componentes industriais.
Confira, com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), a dinâmica de dependência e exportação do país
Minerais que o Brasil exporta, mas ainda importa em etapas do processamento
- Nióbio: O Brasil concentra a maior parte das reservas e da produção mundial de nióbio. O país exporta principalmente ferronióbio, uma liga metálica, além de óxidos e ligas de alta pureza. Nesse caso, parte da agregação de valor já ocorre no mercado nacional, com investimentos em novos produtos e aplicações.
- Grafita: O Brasil tem potencial geológico relevante e exporta grafita natural com diferentes graus de pureza. Ao mesmo tempo, depende de importações de grafita esferoidizada e de materiais anódicos processados, utilizados na fabricação de baterias.
- Níquel: O país exporta níquel metálico e produtos intermediários, mas ainda importa compostos específicos e insumos químicos utilizados na produção de baterias.
- Lítio: Tradicionalmente, o Brasil exporta lítio na forma de concentrado de espodumênio. Embora já exista produção nacional de carbonato e hidróxido de lítio para baterias, a atividade ainda ocorre em pequena escala. O avanço da cadeia produtiva depende de investimentos e de apoio ao desenvolvimento das etapas seguintes de processamento e fabricação de baterias.
- Terras raras: O Brasil tem potencial geológico relevante e produz concentrados de óxidos de terras raras, um conjunto de elementos químicos utilizados em diferentes aplicações tecnológicas. Em Lagoa Santa (MG), o CIT SENAI ITR mantém um laboratório-piloto com pesquisas e testes para a separação e o refino desses elementos, além da fabricação de ímãs permanentes.
Apesar dessas iniciativas, o país ainda depende fortemente de fornecedores externos para obter ímãs permanentes e outros produtos usados em aplicações tecnológicas.
Minerais dos quais o Brasil depende de importações
- Potássio: O Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes potássicos, essenciais para a produção agrícola. A oferta nacional, porém, é limitada, e o país depende majoritariamente de importações de cloreto de potássio (KCl). A região amazônica concentra projetos potenciais para ampliar a produção nacional, mas o licenciamento é demorado e complexo. Entre os principais fornecedores do Brasil estão Rússia, Belarus e Canadá. A guerra entre Rússia e Ucrânia evidenciou os riscos geopolíticos dessa dependência.
- Fósforo: Embora o Brasil tenha produção relevante de rocha fosfática, o volume nacional ainda não é suficiente para atender a toda a demanda. Por isso, o país recorre a importações para complementar a oferta, especialmente de fertilizantes fosfatados já processados.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.



