Dólar fecha estável com pressão de Trump contra o Banco Central dos EUA

Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou ser alvo de pressão da Casa Branca para cortar juros; Trump nega

Powell está sendo investigado por reformas no prédio do Banco Central dos EUA

Após uma escalada inédita nas tensões entre o governo de Donald Trump e o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, o dólar fechou a segunda-feira (12) na estabilidade frente ao real, cotado a R$ 5,37. No mesmo sentido, o Ibovespa, principal indicador do mercado de ações brasileiro, terminou o pregão com um recuo de 0,13%, a 163.150 pontos, após um dia praticamente de estabilidade.

Com o noticiário local sem grandes indicadores para o mercado, o dia foi marcado pela tensão entre o Fed e a Casa Branca. Nesse domingo (11), o presidente da autoridade monetária americana, Jerome Powell, revelou ser alvo de um inquérito criminal aberto por procuradores federais em um caso imobiliário.

A investigação sobre a reforma do prédio central do Fed, em Washington, ocorre sob o pretexto de que Powell teria mentido para o Congresso sobre o escopo das obras. Em um pronunciamento publicado no portal do banco central, Powell disse que a investigação faz parte de um contexto amplo de “pressão contínua do governo”.

“O Fed, por meio de depoimentos e outras divulgações públicas, fez todos os esforços para manter o Congresso informado sobre o projeto de reforma. Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do Presidente [Trump]”, disse.

Questionado sobre as falas de Powell, Trump ironizou o presidente do BC e negou envolvimento com a investigação criminal. “Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é bom no Fed, e nem em construir prédios”, disse.

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O temor do mercado é de que a independência do Fed para definir a taxa de juros dos EUA estaria sendo ameaçada. No último ano, o Fed promoveu três cortes de 0,25 ponto percentual, levando o intervalo da taxa de 4,25% para 3,5%.

Apesar de reduzir os juros, Trump defendia cortes mais agressivos. No meio desse ciclo, o magnata republicano chegou a dizer que tinha o desejo de demitir Powell. Porém, os diretores do Fed ressaltaram a preocupação da autarquia com a desaceleração do mercado de trabalho, mesmo com a inflação americana ainda em patamares elevados, calculada em 2,8%.

O DXY, indicador que mede a força do dólar frente a outras divisas do mercado global, registrou um recuo de 0,27%, aos 98.861 pontos. A queda reflete uma perda de força da moeda americana de uma maneira geral.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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