O setor de bebidas terá as maiores janelas de adaptação, chegando a 10 anos, com a
Das centenas de produtos afetados pelo tratado, as bebidas alcoólicas são as que possuem os prazos mais longos para adaptação, refletindo a complexidade da indústria e o peso das marcas no imaginário do consumidor.
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O caso do Champagne: 10 anos de transição
O termo Champagne é uma das Indicações Geográficas (IG) mais famosas do mundo. Pelo acordo, apenas os espumantes produzidos na região homônima, na França, sob métodos rigorosos, poderão ter esse nome.
Para os produtores brasileiros que utilizam o termo — ou expressões como “método champenoise” e “estilo champagne” —, o acordo estabelece um prazo de 10 anos. Este é o maior período de transição concedido pelo tratado. Durante a década, as vinícolas nacionais deverão investir em estratégias de marketing para consolidar termos como “Espumante” ou criar marcas próprias que não dependam da denominação francesa.
Conhaque e Vinho Bordô: 7 anos para a mudança
No setor de destilados e vinhos de mesa, o impacto também será significativo:
- Conhaque: o nome, que deriva da região de Cognac, na França, só poderá ser usado por brasileiros por mais 7 anos. Após esse período, o produto nacional deverá ser rotulado apenas como “Brandy” ou “Destilado de Vinho”.
- Bordô: Muito comum em vinhos de mesa no Brasil, o termo que remete a Bordeaux também terá o prazo de 7 anos para desaparecer das etiquetas nacionais.
Regras de convivência temporária
Durante os anos de transição, os produtores brasileiros não poderão simplesmente manter as embalagens atuais. O acordo exige que o uso desses nomes seja acompanhado de uma indicação de origem visível e legível. Ou seja, o rótulo deve deixar claro que o “Conhaque” ou o “Champagne” em questão é “Produzido no Brasil”, para evitar que o consumidor seja induzido em erro quanto à procedência.
Cachaça protegida na Europa
Por outro lado, o Brasil ganha exclusividade em solo europeu. A
Para especialistas do setor, o fim do uso de nomes como Champagne e Conhaque no Brasil é o preço a pagar pela inserção definitiva dos produtos nacionais no mercado global de alto valor agregado. A aposta agora é que a qualidade dos espumantes brasileiros, já premiados internacionalmente, seja forte o suficiente para brilhar sem a necessidade de nomes estrangeiros.