Durigan critica tarifaço dos Estados Unidos e diz que medida contra o Brasil é 'injustificada'
Ministro da Fazenda afirma que nova taxação é uma forma de substituir tarifas derrubadas pela Suprema Corte dos EUA e promete apoio aos exportadores brasileiros

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou, na noite desta quinta-feira (23), as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida é "injustificada" e representa uma ação unilateral que atinge não apenas o Brasil, mas também outros importantes parceiros comerciais dos norte-americanos.
Em entrevista à Band, Durigan afirmou que não há fundamentos econômicos para a taxação, especialmente diante do fato de que o Brasil possui renda per capita inferior à dos Estados Unidos e registra déficit na balança comercial com o país.
"Rechaçamos com todas as forças mais essa tarifa injustificada unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor que os Estados Unidos e que tem déficit em relação aos Estados Unidos", declarou.
De acordo com o ministro, as novas tarifas foram uma forma encontrada pelo governo do presidente Donald Trump para manter a política tarifária após parte das medidas anteriores ser derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
"O próprio presidente Donald Trump disse que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito, não tem justificativa, mas deram um jeito de colocar a tarifa, nesse caso, a todas as grandes economias do mundo, inclusive o Brasil", afirmou.
O Brasil está entre os países que passarão a pagar uma tarifa adicional de 12,5% após a conclusão de investigações conduzidas pelos Estados Unidos sobre a suposta falha de diversos países em proibir e combater a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Na prática, alguns produtos brasileiros passarão a enfrentar uma taxação total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.
Ao comentar as medidas que vêm sendo estudadas pelo governo federal, Durigan afirmou que a prioridade é apoiar os exportadores brasileiros, principalmente pequenas e médias empresas. Segundo ele, o Ministério da Fazenda pretende ampliar linhas de crédito para exportação e incentivar a abertura de novos mercados.
"Mesmo para o pré-embarque, muitas vezes antes de ter um contrato assinado com alguém do exterior, você já tem um apoio para esse exportador, que pode ser um pequeno ou médio negócio. E nós temos linhas de apoio à exportação para diversificar mercados", disse.
O ministro também destacou que, apesar da redução da participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras nos últimos anos, o país tem registrado recordes na balança comercial. Segundo Durigan, a estratégia do governo é manter o diálogo diplomático com Washington, sem deixar de buscar novos parceiros comerciais.
"Nós estamos batendo recorde na balança comercial. Quem não quer comprar da gente, nós vamos insistir, vamos negociar, mas nós precisamos continuar vivendo e, para isso, diversificar a exportação, fazer novas vendas no mercado interno. Nós vamos apoiar o nosso empresariado para isso", concluiu.
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