Nova tarifa dos EUA contra o Brasil entra em vigor já nesta sexta-feira (24)
Tarifa de 12,5% foi imposta pelos Estados Unidos após uma investigação apontar que o país 'falhou' em coibir a entrada de produtos feitos com 'trabalho forçado'

A nova tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros nesta quinta-feira (23) já entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24), segundo o Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR). A sobretaxa foi imposta após uma investigação sobre trabalho forçado em produtos importados por 60 países.
As alíquotas variam entre 10% e 12,5%, mas o Brasil foi taxado pelo maior patamar por não adotar restrições à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. O “novo tarifaço” entra em vigor à 01h01, no horário de Brasília. Mercadorias que já estejam em trânsito para os EUA poderão entrar no país sem cobrança adicional até terça-feira (28).
Em nota, o governo brasileiro criticou a decisão da Casa Branca e afirma que os EUA manipulam um “tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras”. O Planalto reitera que é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos “fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado”.
“Ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e forneceu farta documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das nossas autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado”, disse a nota do governo.
A tarifa sobre o trabalho forçado é uma resposta da Casa Branca ao vencimento de uma taxa global de 10%, aplicada após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar o tarifaço original, criado em abril de 2025 com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Na época, a Justiça argumentou que a legislação não autorizava o presidente a impor tarifas “unilateralmente”.
Segundo o governo Trump, o Brasil e outras 59 nações teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado. Entre os países que também foram taxados estão aliados dos Estados Unidos, como Argentina, Emirados Árabes Unidos, Israel, Japão, Reino Unido, dentre outros.
A nova tarifa se soma a taxa de 25% aplicada na semana passada após uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. Dessa forma, uma parte das exportações brasileiras aos EUA está sujeita a uma alíquota média de 37,5%.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



