EUA anunciam nova tarifa de 12,5% contra o Brasil por 'trabalho forçado'
Casa Branca confirmou nesta quinta-feira (23) aplicação de tarifa por suposto benefício comercial de produtos ligados a trabalho forçado

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa contra 60 países que teriam se beneficiado comercialmente de produtos ligados ao trabalho forçado. O Brasil está incluído na lista de nações que serão afetadas pela medida.
A decisão do governo norte-americano vem após discussões e anúncios prévios. A tarifa de 12,5% sobre o Brasil já era aguardada, uma vez que se tratava de uma nova investigação do USTR sob a seção 301 da Lei Geral do Comércio de 1974.
Segundo o governo americano, a nova taxação foi criada após duas rodadas de audiências públicas, com mais de 2.100 comentários e negociações com os parceiros comerciais do país.
De acordo com o representante comercial do governo, Jamieson Greer, os Estados Unidos têm uma proibição de importação de produtos fabricados com trabalho forçado há quase um século. “Já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo”, disse.
“A ação de hoje começará a corrigir o que é tanto uma violação dos direitos humanos quanto uma prática comercial distorciva, visando melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todos os lugares. Sinto-me encorajado pelos parceiros comerciais que se moveram rapidamente para adotar proibições de importação de trabalho forçado e estou ansioso para garantir sua aplicação eficaz”, completou.
Brasil já esperava medida
A tarifa sobre o trabalho forçado é uma resposta da Casa Branca ao vencimento de uma taxa global de 10%, aplicada após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar o tarifaço original, criado em abril de 2025 com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Na época, a Justiça argumentou que a legislação não autorizava o presidente a impor tarifas “unilateralmente”.
Segundo o governo Trump, o Brasil e outras 59 nações teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado. Entre os países que podem ser taxados estão aliados dos Estados Unidos, como Argentina, Emirados Árabes Unidos, Israel, Japão, Reino Unido, dentre outros.
Por sua vez, o governo brasileiro já afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR. O Itamaraty argumenta que os EUA não apresentaram provas concretas e não há evidências de que bens produzidos com trabalho forçado no Brasil tenham entrado no mercado norte-americano.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



