Mãe diz que foi surpreendida ao ver vídeo de professora ‘esfregando’ prova no rosto do filho
Caso ocorreu na Escola Estadual Celmar Botelho Duarte, em Belo Horizonte

“O que ela [diretora] queria era mostrar o comportamento do meu filho e acabou mostrando o da professora”, afirma a mãe de um menino, de 8 anos, sobre as imagens que registraram o momento em que a docente teria “esfregado” uma prova no rosto do aluno. À Itatiaia, a mãe da criança contou que o intuito da diretora da escola era mostrar aos responsáveis pelo menino como ele agia dentro da sala de aula. Quando a gravação estava passando, o padrasto da criança percebeu o momento em que a professora aparece segurando uma folha de papel rente ao rosto do menino. Após os fatos, que ocorreram na Escola Estadual Celmar Botelho Duarte, em Belo Horizonte, a mãe afirma que a professora foi afastada.
À Itatiaia, a mãe da criança, que preferiu não se identificar, contou que foi até a escola após o filho receber uma advertência por não ter concluído a atividade em sala e por estar sem o livro de matemática. No entanto, a mulher afirma que mandou um bilhete avisando que o menino havia perdido o material e questionando se o livro não estaria na escola. “Ela [professora] falou com o meu filho dentro da sala que era para eu me virar”, contou.
Na unidade de ensino, a mulher foi atendida pela diretora, que teria questionado se a mãe queria ver como o filho agia dentro da sala de aula. Segundo a mãe, a professora relatava que o menino seria disperso, atrapalhava o rendimento da aula e gostava de sair da sala, apesar de ser inteligente e tirar notas boas.
“Deixei bem claro para ela que eu resolveria da melhor forma e aí a diretora me falou que eu tinha que marcar uma consulta [psicológica] e que eu seria encaminhada para o conselho tutelar. Falei, estou à disposição, pode fazer o que vocês acharem melhor e o que for melhor para o meu filho, vou fazer”, contou.
Quando as gravações da sala de aula estavam sendo exibidas, o padrasto do menino reparou o momento em que a professora aparece segurando a folha de papel rente ao rosto do menino. A mãe da criança relata que, a partir disso, a postura da diretora mudou. “Foi prometido que meu filho receberia um novo livro, podendo ser novo ou usado, e ele também foi transferido de sala”, disse.
Segundo a mãe, a diretora afirmou ainda que as atitudes do filho na escola poderiam estar relacionadas à forma com a qual a professora agia.
A mãe do menino relatou que outros casos já teriam acontecido em relação à professora. “Em outra situação, meu filho faltou à escola em uma segunda-feira devido a um alerta de granizo e às condições climáticas. Como responsável, decidi não enviá-lo à escola por questão de segurança. Posteriormente, fui informada de que a professora teria dito que havia ‘orado para ele não ir à aula’”, contou.
A mãe disse ainda que teria problemas para se comunicar com a professora. “Ela mandou alguns bilhetes, mas não me respondia, disse que não gostava de responder bilhetes e nem marcar reuniões de fato. Quando eu mandava algum bilhete, ela debochava, ria da cara do meu filho perto dos alunos e ele se sentia muito envergonhado quanto a isso”, contou.
A mãe relatou que a criança ficou profundamente abalada com o ocorrido, passando a demonstrar medo de reencontrar a professora. Diante da gravidade da situação, a família formalizou a denúncia por meio de um boletim de ocorrência. “Está todo mundo triste, chateado, ninguém esperava isso. De fato, é uma criança muito amada por todos, o bairro se indigna, fica indignado com tudo isso que tá acontecendo. Um menino educado, respeitoso, só fica dentro de casa, só sai com a família, não é um menino que dá trabalho, nunca teve problema”, afirmou.
Sobre a repercussão do caso, a mulher afirmou que compartilhou o ocorrido para que algo como esse caso não aconteça novamente com nenhum outro aluno. “Quero que as escolas ouçam mais as crianças, protejam mais as crianças, fiscalizem mais as crianças”, disse.
Secretaria se manifesta
"A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) não compactua com eventuais desvios de conduta e reforça que as escolas e os educadores são orientados quanto à postura adequada, no que se refere ao ambiente e relações interpessoais, professor aluno, professor e colegas de trabalho, conforme dispõe o Código de Conduta Ética.
A SEE informa que, ao tomar conhecimento da denúncia contra uma professora da Escola Estadual Celmar Botelho Duarte, em Belo Horizonte, a Superintendência Regional de Ensino (SRE) Metropolitana C adotou imediatamente as providências cabíveis.
A SRE deu início às apurações preliminares, com o objetivo de reunir os elementos necessários à análise da situação e instaurou um Processo Administrativo Simplificado (PAS), destinado à apuração detalhada dos fatos e eventual responsabilização da professora, assegurados o contraditório e a ampla defesa. O Núcleo de Atendimento Educacional (NAE) também foi acionado para acolher e acompanhar o estudante envolvido.
Os responsáveis pelo estudante foram atendidos pela diretora, que registrou a denúncia em ata escolar para dar seguimento às medidas administrativas."
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Jornalista em formação pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Integra a equipe da Itatiaia desde 2024 com foco na editoria Minas Gerais.




