Homem é morto e adolescente confessa crime para proteger irmão, em BH
A vítima, de 41 anos, foi morta a facadas após uma discussão por motivo fútil; A farsa da menor de 14 anos foi desmontada após a confirmação do óbito na UPA

Um homem de 41 anos foi morto a facadas na noite dessa sexta-feira (18), na rua Herculano Soares Rocha, no bairro Ipê, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O crime ocorreu após uma discussão envolvendo um suposto descarte de um animal morto. Uma adolescente de 14 anos confessou o crime para proteger o irmão, de 31, que havia deixado a prisão há apenas três dias após cumprir pena por homicídio.
A Polícia Militar (PM) foi acionada via 190 com relatos de que a vítima havia sido ferida no tórax e levada por populares à UPA Nordeste. No local do crime, os militares foram recebidos na residência dos suspeitos pelos três irmãos (a menor de 14 anos, o jovem de 19 e o homem de 31) e pela mãe. Uma testemunha, pastor de uma igreja vizinha que já estava fechada, relatou apenas ter ouvido a discussão, mas não presenciou o ataque.
Na primeira versão contada aos policiais, a adolescente de 14 anos alegou que seu gato havia matado um rato e ela saiu para jogar o animal na lixeira. Nesse momento, a vítima teria iniciado uma discussão, ameaçando matar o irmão da jovem de 19 anos e buscando um facão no porta-malas de um carro. A menor afirmou que, diante da ameaça, buscou uma faca em casa e golpeou o homem no peito durante uma luta corporal.
O irmão de 19 anos corroborou a história para a polícia. Ele disse que estava sentado no passeio trocando um sapato, devido a um machucado no pé, quando a vítima começou a insultá-lo, acusando os irmãos de jogarem algo na lixeira para envenenar seu cachorro. Segundo ele, o vizinho ameaçou soltar o cão em seu pescoço, momento em que ele pegou uma barra de ferro para se defender. O jovem ainda argumentou que a irmã teria esfaqueado o homem por ter transtornos mentais e fazer acompanhamento no Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam).
Irmãos mudaram depoimento
No entanto, quando a PM recebeu a confirmação do óbito na UPA Nordeste, onde a equipe médica constatou duas perfurações na vítima, uma no tórax e outra no abdômen, os dois irmãos mais novos decidiram mudar o depoimento.
Eles confessaram que a discussão e as ameaças de fato aconteceram, mas admitiram que a primeira versão foi inventada. Logo em seguida, revelaram que o irmão de 31 anos foi quem desferiu as facadas. O falso testemunho foi planejado para evitar que o homem voltasse para a cadeia, de onde havia saído há apenas três dias após ser condenado por outro homicídio.
Após a descoberta, as guarnições da Polícia Militar realizaram diligências na região, mas não conseguiram localizar o autor do crime, que fugiu, nem a arma branca utilizada no homicídio. O caso segue agora para investigação da Polícia Civil.
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.


