O Brasil registrou 1,279 milhão de novos empregos com carteira assinada em 2025, segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) nesta quinta-feira (29). É o pior resultado na série histórica desde 2020, quando no auge da pandemia de Covid-19 o país registrou menos 189.393 empregos formais, ou seja, o fechamento de vagas.
Os dados são o resultado de 26,599 milhões de contratações, ante 25,320 milhões de demissões. Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o saldo de 2025 foi afetado principalmente pela taxa básica de juros, a Selic, que a 15% ao ano é o maior patamar dos últimos 20 anos.
Na prática, a Selic alta causa uma desaceleração da economia ao aumentar os custos de produção e dificultar o acesso ao crédito. “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento”, disse Marinho.
O setor de serviços, que representa mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, teve a maior alta na geração de empregos formais, com 758,3 mil vagas. O comércio aparece na segunda posição, com 247,1 mil vagas.
Considerando os setores de capital intensivo, mais sensíveis aos efeitos da Selic, a Indústria gerou 144,3 mil empregos CLTs em 2025, seguida pela Construção Civil (87,9 mil) e a Agropecuária (41,9 mil). Na avaliação do governo, a dificuldade foi a falta de liquidez nas empresas, causada pelo custo elevado do crédito.
Em dezembro de 2025, foram registrados 618,2 mil vagas de trabalho encerradas, um aumento em relação ao mesmo mês em 2024 (555,4 mil). Historicamente, o período é marcado por um pico de demissões de postos temporários no comércio, mas o resultado é ainda mais fraco do que o esperado pelo mercado financeiro ( -450 mil empregos).
“O resultado do Caged reforça uma tendência recente nos dados do emprego formal, de perda de dinamismo, o que ainda não apareceu na taxa de desocupação medida pela PNAD, que é uma medida mais defasada. Portanto, é mais uma evidência de que a política monetária está contribuindo para desacelerar a economia”, disse o economista sênior do Inter, André Valério.