Os pterossauros, répteis voadores da era dos dinossauros, desenvolveram um cérebro com a capacidade de voar praticamente do zero, é o que revela um estudo da Universidade de São Paulo (USP)
Segundo o estudo, o chamado “computador de voo” desses animais não foi herdado de ancestrais, mas evoluiu de maneira rápida, já na origem do grupo há cerca de 215 milhões de anos atrás, em conjunto com uma morfologia corporal que possibilitou seu voo.
A descoberta foi feita pela reconstituição 3D do cérebro dos pterossauros, com fósseis de crânios de diferentes animais que viveram no mesmo período, como os dinossauros não avianos (que não são aves), e também crânios de aves atuais
Entre os resultados das análises dessas imagens, o grupo verificou que havia poucas semelhanças entre os cérebros dos lagerpetídeos, uma das espécies observadas, e dos pterossauros. A única semelhança era o desenvolvimento do lobo óptico (estrutura cerebral responsável pelo processamento visual) ampliado.
Os pesquisadores também concluíram que o tamanho do cérebro em pterossauros é indiferente para a habilidade de voar. Mario Bronzati, um dos autores da pesquisa, afirma que o que realmente importa são estruturas como o lobo óptico e o flóculo, um pequeno lóbulo responsável por estabilizar a cabeça, o pescoço e os olhos dos animais, permitindo que a imagem formada na retina fique sempre nítida, mesmo durante o movimento.
“Suas asas membranosas eram extremamente sensíveis ao vento e à posição do corpo, funcionando como uma grande superfície sensorial”, conta o pesquisador sobre os flóculos.
Ao falar das asas do animal, Bronzati diz que a superfície sensorial gerava grandes volumes de informações para o sistema nervoso do pterossauro durante o voo e, para processar esses sinais e manter a visão estável, eles “desenvolveram um flóculo muito grande, responsável por coordenar reflexos que estabilizam os olhos e a cabeça durante movimentos rápidos”, finaliza.
(Sob supervisão de Lucas Borges)