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Greve dos professores em BH: categoria mantém greve após assembleia

Professores acamparam em frente à prefeitura; Executivo ofereceu 2,49% de reajuste, mas eles não aceitaram

Professores e trabalhadores da educação estão em greve desde o dia 6 de junho

Os professores e trabalhadores da rede municipal de educação de Belo Horizonte decidiram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (3), manter pela continuidade da greve iniciada no dia 6 de junho.

“Nós acabamos de instaurar a assembleia permanente com acampamento na porta da prefeitura, esperando o prefeito para negociação. A hora que ele chamar para negociar, a gente ativa a categoria para ter uma assembleia e apreciar a proposta”, disse Carol Pasqualini, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (Sind-Rede).

Ela falou ainda que, apesar da permanência da paralisação, vai apresentar uma contraproposta para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para que, além dos 2,49% de reajuste, ela adiante mais 2,4% de aumento referentes as perdas dos governos anteriores.

Nesta quinta-feira faz 28 dias que os trabalhadores entraram em greve.

Nota da PBH

“A Prefeitura de Belo Horizonte informa que diante da decisão dos professores da rede municipal de manterem a greve, apresentou nesta quinta-feira (3) recurso judicial na tentativa de interromper a paralisação e evitar que milhares de alunos permaneçam sem aulas.

A medida judicial busca ainda evitar a interrupção da alimentação das crianças nas escolas que estão funcionando normalmente ou de forma parcial, já que o sindicato da categoria notificou a PBH sobre uma possível greve dos profissionais de cantina e limpeza a partir da próxima terça-feira, dia 8.

Vale ressaltar que a PBH apresentou novas propostas à categoria durante audiência realizada na quarta-feira (2) no Tribunal de Justiça, mas não houve um acordo.

A PBH reafirma a impossibilidade de ultrapassar os limites financeiros já apresentados.”

Dias parados cortados

Os trabalhadores, que já tiveram parte dos salários cortada, reivindicam uma recomposição salarial de 6,27%, retroativa a janeiro, com base no reajuste do piso nacional do magistério. Também pedem o preenchimento imediato das vagas no quadro de professores e a redução no número de alunos por sala de aula — atualmente, cerca de 30.

A PBH ofereceu reajuste de 2,49%, retroativo de janeiro a abril de 2025.

Ainda segundo a PBH, até o fim do ano, as férias-prêmio devem ser calculadas e processadas. O governo também garantiu a recomposição das perdas inflacionárias acumuladas entre 2017 e 2022, além da nomeação de 376 servidores para os anos iniciais e outros professores aprovados em concurso vigente.

Para a educação infantil, será encaminhado um projeto de lei visando ampliar o número de professores e reestruturar a carreira. Atendendo a outras reivindicações, o município informou que professores com um turno de trabalho passarão a receber auxílio-alimentação de R$ 18,75 por dia — um benefício que hoje não é concedido. Já para docentes com jornada de 8 horas diárias, o valor do auxílio passará de pouco mais de R$ 37 para R$ 60 por dia, podendo chegar a R$ 1.320 mensais.

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela Universidade Pontifícia Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Já trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.