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Prefeitura de Belo Horizonte começa a descontar salários de professores por dias em greve

Decisão foi tomada a partir do entendimento do STF de que greve representa suspensão do vínculo de trabalho e, portanto, contraprestação salarial não é devida para período de paralisação

Prefeitura de Belo Horizonte

Os contracheques dos servidores públicos municipais estão disponíveis para consulta, desde a manhã desta segunda-feira (30), e trouxeram os descontos dos dias não trabalhados pelos profissionais da Educação, informou, em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

Segundo o Executivo, o corte no ponto dos funcionários, anunciado na semana passada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil), atende a uma nota técnica da Produradoria Geral do Município (PGM) baseada em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2017.

Ao julgar um recurso extraordinário envolvendo o tema, os ministros entenderam que a administração pública deve realizar o desconto dos dias não trabalhados pelos servidores públicos em greve.

O entendimento do STF é que a greve representa uma suspensão do vínculo de trabalho e, portanto, a contraprestação salarial não é devida para o período de paralisação.

Cabe ressaltar que a própria decisão do Supremo permite que os descontos sejam evitados a partir de um acordo formal que estabeleça a reposição das horas ou dias parados. Até o momento, não houve acordo com a categoria em Belo Horizonte. A PBH ressaltou que está aberta ao diálogo.

Audiência de conciliação

O desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Leopoldo Mameluque designou uma audiência de conciliação para a próxima quarta-feira (2), às 11h, na sede do Poder Judiciário, no bairro Serra, na região Centro-Sul, para discutir sobre a greve dos trabalhadores da rede municipal da educação, iniciada no dia 6 de junho.

O encontro foi marcado depois que a PGM propôs uma Ação Declaratória de Ilegalidade/Abusividade de Greve, com pedido de liminar em face do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede), que foi negada por Mameluque. As determinações são da sexta-feira (27).

Judicialização

O prefeito anunciou que a prefeitura vai judicializar a greve dos professores da rede municipal. Ele também determinou o corte de ponto dos profissionais que aderiram à paralisação.

“Semana que vem já é dia de passar as folhas de ponto para todos os professores e professoras. Eles já terão acesso e lá vão perceber que todos os dias em greve foram cortados. Não existe a possibilidade de pagar uma pessoa que não foi trabalhar. Eu não posso fazer isso, a lei não me permite fazer isso”, afirmou.

A decisão foi comunicada um dia após os professores da rede municipal votarem pela continuidade da greve por tempo indeterminado. A paralisação começou em 9 de junho, com a categoria reivindicando um reajuste salarial superior aos 2,49% propostos pela Prefeitura, além de outras demandas, como a contratação imediata de professores, especialmente nas Emeis, reestruturação da carreira, redução de alunos por sala, ampliação do tempo de planejamento e paridade nos reajustes dos aposentados.

Segundo Damião, a proposta apresentada pelo município garante ganhos acima da inflação acumulada nos primeiros meses de 2024, e está alinhada ao que foi oferecido a outras 13 categorias de servidores, que aceitaram o acordo.

“O que nós propomos está dentro do que a Prefeitura já vinha fazendo com todas as outras categorias. Todas aceitaram. Apenas o sindicato dos professores não aceitou”, declarou.

O prefeito reforçou que Belo Horizonte já paga salários acima do piso nacional da educação. De acordo com ele, os 2,49% oferecidos agora se referem apenas ao período de janeiro a abril, antes da nova data-base implementada pela atual gestão.

“A partir de maio, juntando com o próximo ano, a gente faz toda a recomposição do ano. E, assim como fizemos ano passado, nós não só pagamos a inflação, como demos ganho real”, disse.

Damião também criticou os índices pedidos por parte da categoria: “Querem seis, querem sete, um chegou a falar em 20%. Nós temos que ter responsabilidade com o dinheiro que temos para administrar”, afirmou.

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Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela Universidade Pontifícia Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Já trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.