Chuvas em MG: número de mortos na Zona da Mata supera óbitos da tragédia da Barraginha

34 anos após tragédia em Contagem, Minas volta a ter dezenas de mortos em decorrência das chuvas

Tragédias no período chuvoso marcam a história de Minas

O número de mortos em razão da chuva em Juiz de Fora e em Ubá, na Zona da Mata de Minas, superou, nesta quarta-feira (25), os óbitos da tragédia da Vila Barraginha, ocorrida no bairro Industrial, em Contagem, no dia 18 de março de 1992 e que completa 34 anos no mês que vem. Na tragédia de agora, já são 38 mortes ( 32 em Juiz de Fora e seis em Ubá) e 31 pessoas desaparecidos.

No caso da cidade da Grande BH, 36 pessoas morreram e 70 ficaram desabrigados, já que 150 barracos foram soterrados, conforme informações oficiais da Prefeitura de Contagem. Mais de 200 pessoas, entre policiais militares, Corpo de Bombeiros e voluntários da Cruz Vermelha, participaram do resgate.

Assim como na Zona da Mata, o excesso de chuva registrado na época prejudicou a estabilidade da bacia de argila sobre a qual as casas estavam assentadas. A Vila Barrinha começou a ser formada nos anos 1940. O local era um antigo depósito de lixo, que funcionava sobre um solo argiloso. Por causa da chuva, o terreno movimentou e provocou um deslizamento de aterro de 15 metros de altura por 100 metros de extensão.

Apesar da tragédia, a Vila Barraginha resistiu e continua enfrentando problemas com as chuvas atualmente.

‘Muita tristeza’

Apresentador da Itatiaia, o jornalista Eduardo Costa era repórter em 1992 e cobriu a tragédia da barraginha pela Rádio Itatiaia. Ele recorda o cenário de destruição.

“Escutei, por volta de 3h30, o Laudivio Carvalho, que era colega nosso na época, dá a notícia de que havia um desmoronamento com muitos mortos. Fui pra lá na manhã seguinte e fiquei doze dias acompanhando a retirada dos corpos e a remoção dos escombros. Era um negócio realmente impressionante, chocante e, cheio de curiosidades. A imprensa ficava à distância e, às vezes, removiam um porco e a gente lá de cima achava que era o corpo de mais uma pessoa. Foram dias de muita labuta e muita tristeza”.

Eduardo Costa também trabalhou na cobertura das enchentes de 1979, consideradas as mais trágicas da história de Minas Gerais, conforme o Instituto Metsul. Foram 35 dias consecutivos de chuva intensa, deixando 246 mortos e 37 cidades ilhadas. Nessa época, ele estava iniciando a carreira na Rádio Guarani e foi para a cidade de Aymorés, no Vale do Rio Doce de Minas.

“Eu era um aprendiz que estava começando e acompanhava o Fábio Vieira. Ele foi para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado Albergaria o convidou para ir no avião dele para Aimorés, cidade que estava submersa. Fomos encontramos um lugar desolado. Você só via os tetos dos vagões do trens e mais nada”, recorda.

Eduardo lembrou ainda que a comitiva foi hostilizada por moradores. “Vocês estão trazendo água ou vieram consumir o que já não temos? Foi um dia muito tenso”, resumiu Eduardo, que voltou para Belo Horizonte de carona com a colegas da revista Veja.

“Cheguei no Aeroporto da Pampulha, passei em casa, falei com minha mãe que eu estava vivo e fui para a Guarani trabalhar a noite inteira sobre a inundação no Arrudas. Foi um chuvão”, concluiu.

Outras tragédias em MG

  • Janeiro de 1997, cerca de 83 pessoas morreram em apenas 30 dias em decorrência de consequências causadas pelas chuvas. Naquele período, o MetSul afirma que cerca de 600 mil pessoas ficaram sem acesso à água potável, e oito municípios decretaram estado de calamidade pública;
  • Anos mais tarde, também em janeiro mas desta vez em 2003, a Região Metropolitana de Belo Horizonte teve um volume de chuva que superou as médias históricas da época. Na ocasião, 25 pessoas morreram na capital mineira e cidades em seus arredores;
  • As chuvas do verão de 2020 foram históricas. Como relembrou o MetSul, o mês de janeiro daquele ano foi o mais chuvoso da história de Belo Horizonte desde o início das medições, em 1910. Foram 935,2 mm de chuva. Em Minas 56 pessoas morreram e mais de 90 mil ficaram desalojadas.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.

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