PC identifica 27 vítimas das chuvas na Zona da Mata; 38 necropsias foram realizadas

Autoridades confirmam 38 mortes na manhã desta quarta-feira (25); Juiz de Fora e Ubá estão sob alerta vermelho para novas chuvas

Imagem mostra destroços da chuva em Juiz de Fora

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou, na manhã desta quarta-feira (25), o balanço atualizado das vítimas identificadas do temporal na Zona da Mata. Até o momento, o trabalho técnico-científico identificou 27 corpos nas cidades de Juiz de Fora e Ubá.

O trabalho de necropsia e identificação está concentrado nos polos regionais para viabilizar os procedimentos de polícia judiciária e o sepultamento das vítimas.

  • Juiz de Fora: das 32 necropsias realizadas pelo Instituto Médico Legal (IML) local, 21 corpos já foram formalmente identificados.
  • Ubá: no município que enfrenta o maior desastre de sua história, 6 corpos foram necropsiados e todos já foram identificados.

Em nota, a PCMG informou que atua em conjunto com a Defesa Civil Estadual, o Corpo de Bombeiros Militar e outras forças de segurança que compõem o comitê de crise do Governo de Minas.

“A instituição segue atuando de forma ininterrupta, empenhando todos os recursos disponíveis para o atendimento da ocorrência e o apoio às populações afetadas”, afirmou a PCMG em nota oficial.

As autoridades reforçam que o trabalho de busca e perícia continua, uma vez que ainda há relatos de ao menos 33 desaparecidos da região.

Chuvas muito acima da média em Juiz de Fora

Ainda na madrugada de terça-feira (24), a Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública diante da gravidade das chuvas intensas e persistentes que atingem o município. Segundo a administração municipal, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.

Em alguns bairros, o acumulado em poucas horas foi extremo, com pico de cerca de 186,1 milímetros no bairro Nossa Senhora de Lourdes e registros entre 130 mm e 170 mm em outras regiões.

Para se ter uma ideia, a média esperada para todo o mês de fevereiro em Juiz de Fora, segundo o Inmet, é de 170,3 mm.

A situação provocou transbordamentos históricos, com o Rio Paraibuna fora da calha, córregos cheios, bairros ilhados e, até o momento, 20 registros de soterramentos, principalmente na região Sudeste do município.

Maior tragédia da história em Ubá

Já Ubá, que fica a cerca de 100 km de Juiz de Fora, registrou aproximadamente 170 milímetros de chuva em cerca de três horas, de acordo com a Prefeitura. O volume elevado provocou a maior inundação dos últimos anos.

O Rio Ubá atingiu 7,82 metros, causando alagamentos e inundações em uma extensa área urbana, com impacto em diversos bairros, ruas e estabelecimentos comerciais, além de comprometer a prestação de serviços essenciais. A cidade também decretou estado de calamidade pública.

Por lá, imagens impressionantes mostram caixões sendo levados pela força da enxurrada, carros arrastados de uma concessionária e idosos sendo resgatados de uma casa de repouso.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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