Bairros de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, atingidos pela chuva histórica que deixou pelo menos 16 mortos, registraram acumulados de até quase 190 milímetros somente nesta segunda-feira (23).
O maior volume ocorreu no bairro Nossa Senhora de Lourdes (186 mm), seguido por Santa Rita (172,7 mm) e Distrito Industrial (161,2 mm), de acordo com dados da Prefeitura de Juiz de Fora. Para se ter uma ideia, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média histórica de chuva para fevereiro no município é de 170,3 mm, valor alcançado em poucas horas.
Também houve volumes expressivos nos bairros Linhares (147,1 mm), Centro (146,7 mm), Represa (138,2 mm), Vila Ideal (137,8 mm), Graminha (136,3 mm), Cidade Universitária (133,4 mm) e São Judas Tadeu (125,7 mm). Ao longo do dia, a administração municipal registrou 251 ocorrências relacionadas às chuvas.
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Sobe número de mortos
Por volta das 9h30, o Corpo de Bombeiros confirmou a atualização para 16 mortes. Mais cedo, às 6h30, o número era de 14, conforme a última nota divulgada pela prefeitura, que deve atualizar o balanço no início da tarde.
Até o momento, foram confirmados 14 óbitos com endereços divulgados, distribuídos por diferentes pontos da cidade. Quatro mortes ocorreram na Rua Natalino José de Paula, no bairro JK, e outras quatro na Rua Orville Derby Dutra, no bairro Santa Rita. Na Rua João Luís Alves, na Vila Ideal, foram registrados dois óbitos.
Também houve uma morte na Rua José Francisco Garcia, no bairro Lourdes; uma na Rua Eurico Viana, na Vila Alpina; uma na Estrada Athos Branco da Rosa, no bairro São Benedito; e uma na Rua Jacinto Marcelino, na Vila Olavo Costa.
Os outros dois óbitos confirmados não tiveram os endereços divulgados.
A Defesa Civil estima ainda que cerca de 440 pessoas estejam desabrigadas e recebendo apoio da Prefeitura para acolhimento e acomodação provisória.
Previsão de chuva até o fim da semana
Segundo o meteorologista Lizandro Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a passagem de uma frente fria pelo litoral da região Sudeste, no fim da semana passada, organizou áreas de instabilidade e deixou o tempo muito favorável à formação de nuvens em grande parte da região.
“Desde o fim de semana, a Zona da Mata estava sob aviso laranja, com previsão de acumulados de até 100 milímetros, mas as chuvas foram mais intensas do que o esperado, superando esse volume. Essa área de instabilidade ficou ancorada e deve continuar atuando pelo menos até sexta-feira, com grande chance de chuvas recorrentes, tanto de forma contínua, por várias horas consecutivas, quanto em pancadas mais intensas, principalmente à tarde, à noite e durante a madrugada”, disse.
A cidade decretou estado de calamidade pública e suspendeu as aulas nesta terça-feira (24). Em pronunciamento publicado nas redes sociais durante a madrugada, a Prefeitura informou que este foi o mês mais chuvoso da história do município.
Somente em fevereiro, o acumulado chegou a 584 milímetros. “Isso nos trouxe uma série de transbordamentos, desde situações muito graves até ocorrências de soterramentos, que neste momento continuam aumentando. Temos registrado
O Rio Paraibuna também saiu da calha. “Os córregos estão todos absolutamente transbordando. É uma situação de calamidade. Por essa razão, neste momento, estou decretando o estado de calamidade pública”, disse. Veja o pronunciamento completo
Ubá confirma cinco mortos
Ubá, a cerca de 110 quilômetros de Juiz de Fora, registrou aproximadamente 170 milímetros de chuva em cerca de três horas e meia, de acordo com a Prefeitura. O volume elevado provocou a maior inundação dos últimos anos no município.
Segundo informações preliminares divulgadas pela administração municipal às 9h30, seis óbitos foram confirmados, e uma pessoa permanece desaparecida.
O município já registrou 18 ocorrências, incluindo salvamentos e resgates. As chuvas provocaram o desabamento de três imóveis na Avenida Cristiano Roças e de uma residência na Rua da Harmonia.
Além disso, três pontes ficaram totalmente danificadas: a Ponte Major Siqueira, na Avenida Cristiano Roças; a ponte da Rua dos Viajantes, no Centro; e a ponte da Rua Nossa Senhora Aparecida, no bairro Industrial.