O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mantém alerta hidrológico para a Zona da Mata mineira após o forte temporal que começou nessa segunda-feira (22) e se estendeu até a madrugada desta terça-feira (24).
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Segundo o coordenador-geral de operações e modelagem do Cemaden, Marcelo Celutci, à Itatiaia, o cenário de chuva intensa já vinha sendo monitorado há dias. “Estamos com uma situação meteorológica bastante favorável à chuva na maior parte do Sudeste”, explicou.
O que provocou a chuva
De acordo com o especialista, a combinação de uma massa de ar muito úmida com a passagem de uma frente fria agravou o quadro. A temperatura do mar acima do normal, é outro fator determinante, pois aumenta a disponibilidade de umidade e deixa a atmosfera mais instável.
Esse conjunto cria condições para temporais fortes “a qualquer momento”.
Por que Juiz de Fora foi mais atingida
Apesar da previsão de chuva para uma área ampla, Celutci ressalta que eventos extremos costumam ser localizados.
“Pequenos fatores, como vento e topografia, podem fazer com que a chuva ocorra em um ponto e não em outro”, afirmou.
Ele destaca que Juiz de Fora possui características que favorecem acumulados mais intensos, como topografia complexa e encostas voltadas para o oceano, que recebem diretamente a umidade marítima.
Risco continua após o temporal
O Cemaden alerta que o risco não termina com o fim da chuva, pois, com o solo já saturado após semanas de precipitações, aumenta a possibilidade de deslizamentos e outros problemas geológicos.
Previsão para os próximos dias
A tendência é de manutenção das condições instáveis pelo menos até quinta ou sexta-feira (27). Depois disso, a passagem de uma nova frente fria pode inicialmente reforçar a chuva, mas, na sequência, deve trazer um período de maior estabilidade.
A expectativa é de uma possível trégua no próximo fim de semana, ainda que temporária.
As autoridades reforçam que a Zona da Mata e a região serrana do Rio de Janeiro compartilham comportamento meteorológico semelhante, o que historicamente eleva o risco de desastres, especialmente em áreas de encosta ocupadas.
Até a última atualização do Corpo de Bombeiros, realizada às 9h30, a tragédia na Zona da Mata soma 21 mortes, sendo 16 em Juiz de Fora e seis em Ubá.