Servidores do SAMU fazem novo protesto nesta quarta (22) contra fim de contratos temporários
Servidores cobram presença da Secretaria de Saúde em audiência marcada para esta quarta-feira (22) e dizem que diálogo com a prefeitura ainda não aconteceu

Servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Belo Horizonte fizeram um protesto nesta quarta-feira (22), em frente à sede da prefeitura, contra a decisão da administração municipal de reduzir o número de técnicos de enfermagem nas ambulâncias. A categoria fala em “desmonte” do serviço e alerta para riscos no atendimento à população e também para os próprios trabalhadores.
A principal crítica é que as ambulâncias básicas passem a ter apenas um técnico de enfermagem, em vez de dois. Segundo a representante do movimento, Érica Santos, a medida não leva em conta a realidade da cidade.
"O motivo deste ato é a defesa da qualidade do atendimento à população. Existe uma diretiva da PBH para cortar pela metade o número de profissionais de enfermagem dentro das ambulâncias, que sobem morros, descem vielas e carregam pacientes, às vezes com 200 kg, além de equipamentos pesados, macas, enfim. E o que a gente não entende é o prefeito dizer que apenas um técnico de enfermagem é capaz de fazer isso. Então, este ato é em defesa da saúde pública, da população e contra o desmonte do SUS. Nós precisamos que o prefeito aporte recursos, que invista na manutenção das equipes, e não que destrua algo que tem mais de 20 anos e já está bem consolidado", disse.
A administração municipal tem alegado que o desligamento dos profissionais se deve ao término de contratos temporários feitos durante a pandemia de Covid-19. No entanto, os trabalhadores afirmam que o déficit de pessoal é anterior à crise sanitária e que o corte atual afetará drasticamente a escala de trabalho.
"A gente fica muito triste da prefeitura ter apenas esse tipo de justificativa, porque antes da pandemia já faltavam mais de 20 profissionais no SAMU. A prefeitura colocou de fato 34 contratos na época da pandemia, mas esqueceu que já estava faltando mais de 20 profissionais... Se a gente fizer uma conta baixa, são 21 unidades. Se tirar um de cada unidade, sendo que são seis plantões por unidade, são mais de 100 profissionais que deixam de atuar no SAMU", explicou.
A expectativa da categoria se volta agora para a audiência pública marcada para às 13h, Comissão de Saúde e Saneamento da, da Câmera Municipal. no bairro Santa Efigênia, na Região Leste.
Os servidores esperam que o secretário municipal de Saúde ou representantes técnicos compareçam para abrir um diálogo que, segundo eles, não aconteceu até o momento.
Medo de perder o emprego
A técnica de enfermagem Isiléia Eulália, de 40 anos, que atua há 18 anos na profissão, teme perder o emprego.“É uma preocupação, porque todo mundo sabe que entra no SAMU por contrato e, quando sai, sai sem direito a nada, sem seguro-desemprego. A maioria está aqui há muitos anos, tem família, filhos, e não sabe o que vai acontecer a partir do dia 1º de maio. É o ‘presente’ do Dia do Trabalhador. A gente não sabe de onde vai tirar o sustento”, afirmou.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) disse, por meio de nota, que 34 profissionais foram incorporados às equipes do SAMU durante a pandemia da Covid-19 por meio de contratos temporários em caráter emergencial. Esses contratos vencem em 1º de maio e não serão renovados.
"O SAMU conta atualmente com cerca de 710 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores. A SMSA destaca que as escalas dos profissionais serão reorganizadas, com o objetivo de manter a assistência à população. Além disso, não haverá redução na quantidade de ambulâncias", disse.
Ainda segundo a administração municipal, cabe ressaltar, também, que a Portaria nº 2.028/2002 estabelece que a equipe mínima para atuação em unidades de suporte básico (USB) é composta por um técnico de enfermagem e um condutor. "Esse modelo já é utilizado em outras cidades do país e passará a ser adotado por Belo Horizonte", finalizou.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.




