Trabalhadores do SAMU fazem manifestação em BH contra proposta de redução de equipes
A PBH argumenta que os contratos de 34 profissionais que foram incorporados às equipes do SAMU durante a pandemia da Covid-19 em caráter emergencial vencem em 1º de maio

Trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (20), na Via Expressa, na altura do bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste Belo Horizonte. A manifestação é contra a possível redução no número de profissionais nas equipes de atendimento. A categoria não descarta uma paralisação na próxima quarta-feira (22).
De acordo com os trabalhadores, PBH pode cortar pela metade o número de profissionais dentro das ambulâncias. Hoje, as equipes contam com dois técnicos de enfermagem e um condutor, mas, com a mudança, passariam a atuar com apenas um técnico e o motorista.
“Recebemos com perplexidade a notícia da PBH de que contratos não seriam renovados. As equipes já trabalham com dificuldade, é um recurso insuficiente. São 21 unidades básicas para atender uma população de cerca de 2,5 milhões de pessoas, com dois técnicos dentro, e já não dá conta. Imagina se a prefeitura retira um profissional. Imaginem o atraso que teremos no atendimento da população, especialmente em casos de trauma, com mais de uma vítima”, afirmou a conselheira estadual de saúde e enfermeira do SAMU, Érica Santos.
Segundo ela, parte dos contratos que podem ser encerrados foi criada durante a pandemia, mas o serviço já enfrentava déficit antes disso.
“A prefeitura argumenta que são contratos da pandemia, cerca de 34. Mas o SAMU já tinha um déficit de 21 profissionais. Se somarmos, chegamos a praticamente 55. E ainda há previsão de ampliar serviços, o que exige mais equipe, não menos”, disse.
Representantes da categoria alertam que a mudança pode impactar diretamente na qualidade do atendimento, principalmente em locais de difícil acesso.
“Quando a ambulância chega, hoje ela conta com dois técnicos e um condutor. Com a mudança, seria um técnico e um condutor. Em regiões com morros, escadas e vielas, isso dificulta muito o socorro. O serviço pode ficar desqualificado e quem sofre é a população”, afirmou Rodrigo Pereira, da comissão de auxiliares e técnicos de enfermagem do Conselho Regional de Enfermagem (Coren).
Segundo o Executivo municipal, a Secretaria de Saúde vai promover uma reorganização nas escalas de trabalho. Veja nota na íntegra
''A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) esclarece que 34 profissionais foram incorporados às equipes do SAMU durante a pandemia da Covid-19 por meio de contratos temporários em caráter emergencial. Esses contratos vencem em 1º de maio e não serão renovados.
O SAMU conta atualmente com cerca de 710 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores.
A SMSA destaca que as escalas dos profissionais serão reorganizadas, com o objetivo de manter a assistência à população. Além disso, não haverá redução na quantidade de ambulâncias.
Cabe ressaltar, também, que a Portaria nº 2.028/2002 estabelece que a equipe mínima para atuação em unidades de suporte básico (USB) é composta por um técnico de enfermagem e um condutor. Esse modelo já é utilizado em outras cidades do país e passará a ser adotado por Belo Horizonte.''
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.


