Chuva na Zona da Mata: 13 pessoas ainda estão soterradas no Parque Burnier, em Juiz de Fora

Cidade soma 30 mortos, 33 desaparecidos e mantém buscas por vítimas soterradas

No total, cidade registra 30 mortes e 33 pessoas desaparecidas após as chuvas

O bairro Parque Burnier é apontado como a área mais afetada pelas chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, após a chuva histórica. Por lá, segundo autoridades locais, 12 residências desabaram total ou parcialmente, provocando o soterramento de 20 pessoas.

Destas, 13 ainda permanecem sob os escombros, cerca de 40 horas após o início da ocorrência, registrada na segunda-feira (23).

No total, há 33 pessoas desaparecidas e 36 mortes confirmadas em decorrência das chuvas, sendo 30 em Juiz de Fora e seis no município de Ubá. As equipes de resgate seguem atuando no local desde a manhã desta quarta-feira (24).

Além da busca por vítimas soterradas, um cão de estimação foi resgatado entre os escombros por integrantes de uma ONG de acolhimento e proteção animal. A reportagem acompanhou o resgate do animal, de porte médio para grande, que estava muito assustado e agressivo, sendo contido com cuidado pela equipe especializada para evitar ferimentos.

Acima do ponto onde ocorreu o resgate do cão, o Corpo de Bombeiros mantém buscas intensas por vítimas soterradas.

Apesar da mobilização e da esperança de familiares e moradores, autoridades alertam que, com o passar das horas, diminuem as chances de encontrar pessoas com vida. Ainda assim, as buscas continuam.

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Juiz de Fora

  • 30 mortes
  • 31 pessoas não localizadas
  • 3.000 desabrigados* e desalojados**

Ubá

  • 6 mortes
  • 2 pessoas não localizadas
  • 14 desabrigados*
  • 46 desalojados**

    * Desabrigada é a pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação, de forma temporária ou definitiva, e necessita de abrigo público.
    ** Desalojada é a pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação, de forma temporária ou definitiva, e não carece de abrigo público. Em geral, vai para a casa de amigos ou parentes até a resolução do problema.

Chuvas muito acima da média em Juiz de Fora

Ainda na madrugada de terça-feira (24), a Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública diante da gravidade das chuvas intensas e persistentes que atingem o município. Segundo a administração municipal, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.

Em alguns bairros, o acumulado em poucas horas foi extremo, com pico de cerca de 186,1 milímetros no bairro Nossa Senhora de Lourdes e registros entre 130 mm e 170 mm em outras regiões.

Para se ter uma ideia, a média esperada para todo o mês de fevereiro em Juiz de Fora, segundo o Inmet, é de 170,3 mm.

A situação provocou transbordamentos históricos, com o Rio Paraibuna fora da calha, córregos cheios, bairros ilhados e, até o momento, 20 registros de soterramentos, principalmente na região Sudeste do município.

O que provocou a chuva

Segundo o coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Celutci, a situação já vinha sendo monitorada e é resultado da combinação de uma massa de ar muito úmida, a passagem de uma frente fria e a temperatura do mar acima do normal, o que aumenta a instabilidade atmosférica e favorece chuvas intensas a qualquer momento.

Apesar da previsão ampla, os eventos extremos tendem a ser localizados, e Juiz de Fora foi mais afetada por fatores como topografia complexa e encostas voltadas para o oceano, que recebem diretamente a umidade marítima.

Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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