‘Perdi minha filha e minha mãe’, diz jovem em desabafo após chuva histórica em Juiz de Fora

Parque Burnier é a área mais atingida; 13 pessoas seguem soterradas e cidade soma 30 mortes

Chuva história provoca desastre em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira

Entre os desaparecidos da chuva histórica de Juiz de Fora, na Zona da Mata, está Fabiana Gomes, de 39 anos. A filha dela, Vitória Cristina, de 18 anos, aguarda nesta quarta-feira (25), o resgate da mãe enquanto tenta lidar com a perda da filha, Melissa Emanuele, de apenas dois anos. Em um relato emocionado, a jovem descreveu o momento da tragédia.

“Perdi minha filha e minha mãe, entendeu? Foi tudo muito rápido, não deu tempo de fazer nada. Veio de uma vez, como um raio, e saiu derrubando tudo. Não deu nenhuma chance de pegar minha menina”, relatou.

O bairro Parque Burnier é apontado como a área mais afetada pelas chuvas que atingiram a cidade entre segunda (23) e terça-feira (24). Segundo autoridades locais, 12 residências desabaram total ou parcialmente, provocando o soterramento de 20 pessoas. Destas, 13 ainda permanecem sob os escombros, cerca de 40 horas após o início da ocorrência.

No total, há 33 pessoas desaparecidas e 36 mortes confirmadas em decorrência das chuvas, sendo 30 em Juiz de Fora e seis no município de Ubá, cidade vizinha.

Além da busca por vítimas soterradas, um cão de estimação foi resgatado entre os escombros por integrantes de uma ONG de acolhimento e proteção animal. A reportagem acompanhou o resgate de um animal de porte médio para grande, que estava muito assustado e agressivo, sendo contido com cuidado pela equipe especializada para evitar ferimentos.

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Chuvas muito acima da média em Juiz de Fora

Ainda na madrugada de terça-feira (24), a Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública diante da gravidade das chuvas intensas e persistentes que atingem o município. Segundo a administração municipal, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.

Em alguns bairros, o acumulado em poucas horas foi extremo, com pico de cerca de 186,1 milímetros no bairro Nossa Senhora de Lourdes e registros entre 130 mm e 170 mm em outras regiões.

Para se ter uma ideia, a média esperada para todo o mês de fevereiro em Juiz de Fora, segundo o Inmet, é de 170,3 mm.

A situação provocou transbordamentos históricos, com o Rio Paraibuna fora da calha, córregos cheios, bairros ilhados e, até o momento, 20 registros de soterramentos, principalmente na região Sudeste do município.

O que provocou a chuva

Segundo o coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Celutci, a situação já vinha sendo monitorada e é resultado da combinação de uma massa de ar muito úmida, a passagem de uma frente fria e a temperatura do mar acima do normal, o que aumenta a instabilidade atmosférica e favorece chuvas intensas a qualquer momento.

Apesar da previsão ampla, os eventos extremos tendem a ser localizados, e Juiz de Fora foi mais afetada por fatores como topografia complexa e encostas voltadas para o oceano, que recebem diretamente a umidade marítima.

Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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