A empresa de meteorologia MetSul publicou uma análise do histórico de desastres causados por chuvas em Minas ao longo dos anos. Segundo a entidade, o clima e o relevo do estado podem estar ligados à tendência de tragédias.
Episódios extremos de precipitação, como as chuvas que atingiram as cidades de Juiz de Fora e Ubá durante a madrugada desta terça-feira (24), quando combinados com a geografia acidentada do estado e a expansão urbana desordenada, tornam a região especialmente vulnerável a enchentes, deslizamentos e outros impactos graves.
A análise destaca que entre outubro e março, época de maior atividade de chuva no Sudeste brasileiro, Minas Gerais enfrenta com frequência volumes elevados de chuva, impulsionados por fenômenos como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esses eventos têm influenciado desastres repetidos ao longo das décadas.
Entre os episódios citados na análise da MetSul estão:
- Enchentes de 1979, consideradas uma das maiores tragédias hidrológicas do estado, com rios transbordando após mais de 35 dias consecutivos de chuva intensa, deixando 246 mortos e 37 cidades ilhadas;
- Janeiro de 1997, cerca de 83 pessoas morreram em apenas 30 dias em decorrência de consequências causadas pelas chuvas. Naquele período, o MetSul afirma que cerca de 600 mil pessoas ficaram sem acesso à água potável, e oito municípios decretaram estado de calamidade pública;
- Anos mais tarde, também em janeiro mas desta vez em 2003, a Região Metropolitana de Belo Horizonte teve um volume de chuva que superou as médias históricas da época. Na ocasião, 25 pessoas morreram na capital mineira e cidades em seus arredores;
- As chuvas do verão de 2020 foram históricas. Como relembrou o MetSul, o mês de janeiro daquele ano foi o mais chuvoso da história de Belo Horizonte desde o início das medições, em 1910. Foram 935,2 mm de chuva. Em Minas 56 pessoas morreram e mais de 90 mil ficaram desalojadas.
Outro episódio marcante foi a tragédia que atingiu a Vila Barraginha, no bairro Industrial, em Contagem, na Grande BH. Na ocasião, em 1992, uma avalanche de terra provocou a morte de 36 pessoas e deixou outras centenas feridas e desabrigadas.
O local foi alvo de um deslizamento de aterro de 15 metros de altura por 100 metros de extensão. Naquela época, o município ainda não contava com a atuação de uma Defesa Civil estruturada.
Atualmente, estudos climáticos indicam que a probabilidade de precipitações intensas aumentou em razão das mudanças climáticas, ampliando o risco para áreas já predispostas por aspectos naturais e humanos.
Especialistas ouvidos pela MetSul também alertam para a necessidade de políticas públicas que considerem a realidade climática e geográfica do estado, especialmente iniciativas de prevenção, planejamento territorial e investimentos em infraestrutura que reduzam a exposição das populações a desastres causados pelas chuvas.