Casos de hepatite C aumentam para 1.241 e hepatite A cresce 642% em Minas Gerais

Vacina contra hepatite A integra o calendário infantil e também é indicada para pessoas com condições especiais de saúde

Em 2025, a cobertura vacinal em Minas Gerais foi de 91,53% para hepatite A e de 87,20% para hepatite B

Minas Gerais vive uma escalada preocupante nos casos de hepatite. De acordo com dados divulgados nessa quinta-feira (3) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), os registros de hepatite C subiram de 1.095, em 2023, para 1.241, em 2024. Já a hepatite A teve crescimento ainda mais alarmante: saltou de 38 casos em 2023 para 211 em 2024, e já alcançou 282 notificações em 2025.

Cíntia Parenti alerta que o aumento no número de casos está relacionado à transmissão da doença por relação sexual. “Tem sido identificada a transmissão por relação oral-anal, principalmente. Por isso, é essencial o uso de preservativos e a higienização correta das mãos e da região genital”, disse à Agência Minas.

As hepatites virais são doenças infecciosas que atingem o fígado e, muitas vezes, não apresentam sintomas, o que torna o diagnóstico precoce um grande desafio. Para tentar conter o avanço da doença, o estado disponibiliza testes rápidos gratuitamente e vacinas.

Imunização

O imunizante contra a hepatite B está disponível para pessoas de todas as idades. Já a vacina contra hepatite A integra o calendário infantil e também é indicada para pessoas com condições especiais de saúde.

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Em 2025, a cobertura vacinal em Minas Gerais foi de 91,53% para hepatite A e de 87,20% para hepatite B, ambas em crianças com menos de 1 ano de idade. A meta do Ministério da Saúde é alcançar 95% de cobertura vacinal.

Além da vacinação, outras formas importantes de prevenção incluem não compartilhar objetos cortantes ou perfurantes, como agulhas, alicates e lâminas, e exigir sempre o uso de materiais esterilizados em salões de beleza e consultórios.

O que são as hepatites?

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. Entretanto, quando presentes, podem se manifestar como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Hepatites são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C.

Hepatite A

Uma infecção causada pelo vírus A (HAV) da hepatite, também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença de caráter benigno, contudo o curso sintomático e a letalidade aumentam com a idade.

Hepatite B

Uma infecção crônica de relevância em saúde pública, causada pelo vírus da hepatite B (HBV). Frequentemente chamada de “doença silenciosa”, a hepatite B pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando não tratada, especialmente em sua forma crônica, pode evoluir para complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e até câncer de fígado.

Hepatite C

Um processo infeccioso e inflamatório causado pelo vírus C da hepatite e que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter silencioso que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado.

Hepatite D

Também chamada de Delta, é causada pelo vírus HDV. Esse vírus depende da presença da infecção pelo vírus HBV (hepatite B) para infectar um indivíduo. Existem duas formas de infecção pelo HDV: coinfecção simultânea com o HBV e superinfecção do HDV em um indivíduo com infecção crônica pelo HBV.

Hepatite E

Uma infecção causada pelo vírus E (HEV). O vírus causa hepatite aguda de curta duração e autolimitada, sendo, na maioria dos casos, uma doença de caráter benigno. Entretanto, ocasionalmente, é possível desenvolver hepatite fulminante no paciente, que pode ser fatal.

Fonte: Ministério da Saúde

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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