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Botulismo, doença suspeita no caso da torta de frango, é rara em BH porém grave

De acordo com a prefeitura, a última vez que se confirmou a doença em um residente do município foi em 2023

Torta de frango pode ter deixado três pessoas em estado grave

Em três anos, Belo Horizonte registrou somente um caso de botulismo — principal suspeita de levar três pessoas, de 23, 24 e 75, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após comerem uma torta de frango no bairro Serrana, na Pampulha, na capital mineira, no início da semana passada.

De acordo com a prefeitura, a última vez que se confirmou a doença em um residente do município foi em 2023 e, na ocasião, ele se recuperou. Isso porque, segundo o infectologista Carlos Starling, os casos são raros, graves, mas com boa perspectiva de recuperação.

“O botulismo é uma doença rara e muito grave causada por uma toxina produzida por uma bactéria chamada clostrídium botulinum, que leva a paralisia muscular e, posteriormente, a paralisia respiratória, podendo levar à morte”, explicou o especialista.

Os exames que vão confirmar a causa da intoxicação da família não foram divulgados pela PBH e/ou pela Secretaria de Estado de Saúde até a manhã deste sábado (26). Até a última quinta-feira (24), quando uma parente da conversou com reportagem da Itatiaia, a família continuava no hospital. O exame de chumbinho já havia dado negativo, e o de botulismo ainda tinha previsão.

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Segundo Starling, a mortalidade era muito alta no passado, chegava a 50% dos infectados. Hoje, com tratamento precoce, varia em torno de 5 a 10%.

“O tratamento é feito com antitoxina, suporte de ventilação mecânica e terapia intensiva. Para intoxicação por infecção de ferida, é necessário o uso de antibióticos. O diagnóstico precoce e o início precoce do tratamento são fundamentais e definem o prognóstico”, disse.

Transmissão

De acordo com o especialista, as formas de transmissão são ingestão de alimentos contaminados, infecção de feridas (cirúrgicas ou acidentais), ingestão de esporos em bebês (botulismo infantil) e, raramente, administração inadequada da toxina em procedimentos médicos. Comida contaminada, diz Starling, é a forma de transmissão mais comum e é o que poderia explicar a relação da torta de frango com a intoxicação da família.

“Alimentos enlatados em casa e alimentos fermentados inadequadamente são mais propensos à contaminação. Latas com validade vencida são indicativos de possível presença da toxina”, informou.

O Ministério da Saúde cita que os alimentos mais comumente envolvidos são:

  • conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi);
  • produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura – “carne de lata”);
  • pescados defumados, salgados e fermentados;
  • queijos e pasta de queijos e
  • alimentos enlatados industrializados.
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Prevenção

  • Não consumir alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas, vidros embaçados, embalagens danificadas, vencidas ou com alterações no cheiro e no aspecto;
  • Lave sempre as mãos;
  • O preparo de conservas caseiras deve obedecer rigorosamente aos cuidados de higiene e armazenamento;
  • Certifique-se de que essas medidas foram adotadas pelo estabelecimento/vendedor que preparou o alimento;
  • O mel é um dos alimentos mais perigosos, especialmente, para crianças menores de 2 anos, pois há risco de conter esporos da bactéria do Botulismo, e este público ainda está adaptando sua microbiota intestinal a novos alimentos, podendo desenvolver quadros graves da doença;
  • O aquecimento dos alimentos pode eliminar as toxinas do botulismo com o cozimento por 10 minutos com a temperatura acima de 80ºC.

Fonte: Ministério da Saúde

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.