Ouvindo...

Tragédia em Teófilo Otoni: PC compara violência do acidente à de queda de avião

A perícia acredita que a carreta-bitrem atingiu o ônibus quando estava entre 95 a 97 km/h, causando uma explosão; O acidente ocorreu na BR-116, em 21 de dezembro, matando 39 pessoas

Acidente gravíssimo no Vale do Mucuri

O delegado regional de Teófilo Otoni (Vale do Mucuri) da Polícia Civil, Amaury Tomaz Tenório, disse que a rocha atingiu o ônibus na BR-116 como um “tanque de guerra”. A maior tragédia em uma rodovia federal desde 2008 impressionou até os profissionais que atuaram na ocorrência. Ontem (21), o motorista foi preso no Espírito Santo.

Em 21 de dezembro, a carreta conduzida por ele transportava um bloco de granito, que se desprendeu e colidiu com um ônibus de viagem, causando a morte de 39 pessoas — entre adultos e crianças. “A força empregada naquele evento foi uma coisa realmente impactante. Comparo com um acidente aéreo de um Boeing, devido à violência que ocasionou aquele número de mortes”, disse Amaury em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (22).

“Essa pedra de granito entra como um tanque de guerra nesse ônibus, causando essa explosão e esse evento trágico na BR-116"

Leia também

A perícia acredita que a carreta atingiu o coletivo quando ela estava entre 95 a 97 km/h. Mas disse que a velocidade pode ter sido ainda maior em outros trechos: “Ele saiu do Ceará com destino ao Espírito Santo. Durante boa parte desse trajeto, podemos afirmar com certeza que foi feito com excesso de velocidade, chegando até absurdos 134 km”, disse ele.

Coletiva de imprensa ocorre na manhã desta quarta-feira (22)

Pedido de prisão

Além do excesso de velocidade, o pedido de prisão do motorista considerou a ausência dele no local do acidente após o ocorrido, o excesso de carga da carreta, e a não conferência das condições de transporte da carga, a jornada exaustiva de viagem, a falta de descanso adequado e os resultados dos exames toxicológicos.

Em 2022, foi registrado um boletim de ocorrência dizendo que o motorista conduzia um Jeep Renegade quando foi abordado por militares. Na ocasião, os policiais identificaram sintomas de embriaguez. Contudo, o homem se recusou a soprar o bafômetro. “Ele teve um processo e tinha uma liminar (que o autorizava a circular)”, finalizou o delegado.

Leia também

Uso de drogas lícitas e ilícitas

Ele se apresentou às autoridades, após o acidente, em 23 de dezembro, e teve a urina coletada para a realização dos exames. Neles, ficou evidenciado o consumo das substâncias.

“O motorista permitiu voluntariamente a coleta de sangue e urina em Teófilo Otoni. Esse material foi transportado para o Laboratório de Toxicologia do IML de Belo Horizonte. Lá, foram utilizados equipamentos de última geração, sendo detectada a presença de substâncias lícitas e ilícitas incompatíveis com a direção veicular”, disse o médico-legista Thales Bittencourt.

Ainda segundo ele, depois disso, a mostra foi encaminhada de avião para Campinas, onde os exames foram repetidos e confirmaram o primeiro resultado. Foram encontrados antidepressivos e ansiolíticos — Venlafaxina e Alprazolam.

Thales explicou, ainda, como as drogas atuam no corpo humano: “As substâncias podem trazer efeitos variados. As substâncias lícitas, no caso do Alprazolam, ele é um ansiolítico. Ele é um sedativo e pode trazer sonolência. Já as outras substâncias, no caso da cocaína e do ecstasy, habitualmente, atuam como estimulantes. Eles deixam a pessoa mais alerta até certo ponto, mas, também, podem prejudicar os reflexos”, finalizou.

O acidente

O ônibus de passageiros, uma carreta bitrem e um carro de passeio se envolveram em uma colisão nas primeiras horas do dia 21 de dezembro de 2024, na altura do km 285 da BR-116 em Lajinha, comunidade rural de Teófilo Otoni.

O acidente deixou 39 vítimas, todas do ônibus da empresa Emtram. O veículo saiu de São Paulo com destino a três cidades da Bahia. Havia três passageiros no carro de passeio, do modelo Fiat Argo. Todos sobreviveram.

O que diz a defesa do motorista

Por meio de nota, a defesa do motorista informou que a prisão preventiva foi recebida com surpresa pela defesa, especialmente após decisão anterior que havia negado essa medida. “Depois que Arilton Bastos Alves se apresentou voluntariamente às autoridades, colaborou com as investigações e não há elementos que justifiquem a medida extrema de segregação”.

A defesa contesta a narrativa de fuga: “Após o acidente, o Sr. Arilton entrou em pânico, não tinha como prestar socorro algum às vítimas em razão da explosão e do incêndio, e buscou preservar sua segurança diante das circunstâncias do ocorrido”, informou.

Até o momento, segundo a defesa, as polícias “não apresentaram à defesa qualquer documento comprobatório de que o motorista trafegava em excesso de velocidade”.

A defesa ainda não teve acesso aos exames toxicológicos que indicaram a suposta presença de substâncias psicoativas no organismo. Diante disso, a defesa está preparando o recurso para questionar a legalidade e a necessidade da prisão preventiva.

Ele também criticou a publicação feita pelo governador. “O governador deveria se preocupar em recuperar as estradas e rodovias de MG que estão em má conservação”, disse.


Participe dos canais da Itatiaia:

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é “cria” da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.