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Após morte de guarda, Prefeito de BH comenta sobre possibilidade de aumentar mureta do Arrudas

Fuad Noman (PSD) afirma que vai esperar o resultado da perícia para saber se uma mureta maior teria evitado a morte da agente municipal; mulher que perdeu a perna em acidente parecido cobra o poder municipal

Stephanie Regina Santos Quintão, de 28 anos, morreu após cair no Rio Arrudas, em BH

O corpo da guarda municipal Stephanie Regina Santos Quintão, de 28 anos, que morreu ao cair da garupa de uma moto no Rio Arrudas, foi sepultado no Cemitério do Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte, na tarde desta sexta-feira (12). A cerimônia contou com a presença de amigos, familiares, além do Comandante Júlio César Pereira de Freitas, da Guarda Municipal, o secretário de Segurança Genilson Ribeiro Zeferino, e do prefeito Fuad Noman (PSD).

Questionado sobre a possibilidade de reformas para aumentar a mureta em torno do Rio Arrudas, Noman comentou que a prefeitura já realiza estudos para entender se há necessidade de uma reforma.

“Quando acontece um acidente desse tipo, por exemplo, todo mundo encontra um culpado. Agora, o culpado é a mureta, que é feita em cima de estudos técnicos. Ninguém inventa o tamanho da mureta. Agora, quando se vai apurar a causa efetiva, por isso que eu digo que tem o inquérito, a gente vai avaliar. Se o inquérito falar assim: ‘se a mureta fosse 10 centímetro mais alta ela não tinha morrido. A gente põe mais 10 centímetros, não tem nenhum problema. O importante é saber exatamente a causa e é por isso que a Guarda, junto com a Polícia Técnica, vai fazer toda a avaliação e estudar”, explicou o prefeito de BH.

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Sobre a dinâmica do acidente que matou a agente municipal, Noman afirmou que ainda faltam detalhes a serem esclarecidos.

“Tem muita coisa para ser explicada. A gente entende o que a imprensa noticiou. Agora vai ter o inquérito, tem todo o procedimento legal para ser cumprido e vamos ver o que aconteceu. A impressão que tem, sem conhecer nada, é que houve um descontrole qualquer, ela acabou batendo na mureta e caiu lá embaixo. Agora, nada como o inquérito para apurar as causas verdadeiras. Vamos rezar para que não aconteça com mais ninguém”, afirmou.

Mulher que perdeu a perna em acidente semelhante cobra prefeitura

A assistente administrativo Marcely Diniz, de 27 anos, relembrou do seu próprio acidente ao saber sobre a morte da guarda municipal. A jovem também estava na garupa de uma moto que bateu na mureta do Rio Arrudas, em dezembro do ano passado. Com o impacto, Marcely foi arremessada para dentro do canal. Ela foi resgatada, mas acabou precisando amputar a perna devido ao acidente.

“Na hora que eu vi a reportagem [sobre Stephanie] eu lembrei do meu acidente. Chorei o dia inteiro. Lembrei do quão doloroso foi para a minha família. Eu perdi a perna, mas essa moça perdeu a vida. Isso mexeu muito comigo porque poderia ter sido eu”, afirma à Itatiaia.

Ao compartilhar a sua própria história nas redes sociais, Marcely recebeu uma enxurrada de mensagens de familiares de vítimas que já caíram dentro do rio.

“Muitas vezes as pessoas acham que acidente de moto é sobre quem está bêbado, drogado, mas não é. Acontece com trabalhador também, como é o caso dessa guarda municipal. O foco deveria ser em arrumarem essa barra de proteção, aumentarem ela, ou instalarem uma tela ali para evitar que as pessoas caiam. Não é a primeira vez que isso acontece. Quando eu falo sobre a minha história, muita gente me conta um caso de alguém que também caiu, e você descobre que é comum”, conta.


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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.