A Portela, maior campeã do Carnaval carioca, levará para a Marquês de Sapucaí uma narrativa que une rigor histórico, fé ancestral e uma necessária reparação cultural. Com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, a Azul e Branco de Madureira mergulha na trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, um príncipe africano que transformou o destino espiritual do sul do Brasil.
O trono da resistência
A escola propõe uma viagem ao início do século XX para apresentar o Príncipe Custódio. Oriundo do Benin, ele se estabeleceu em Porto Alegre, provando que o Rio Grande do Sul é, também, terra de reis negros.
A presença de Custódio não foi apenas diplomática ou social; ela foi fundacional. O enredo explora como ele assentou os fundamentos do Batuque, a religião afro-gaúcha, plantando o Axé em terras meridionais e influenciando diretamente a política e a cultura da capital gaúcha.
Uma peça de reparação histórica
A escolha deste tema reafirma a vocação da Portela para enredos densos e de profundo protagonismo negro. Ao contar a história do Príncipe do Bará, a agremiação cumpre um papel educativo mostrando a diversidade das religiões de matriz africana no Brasil.
Falando de territorialidade, a agremiação rompe com a ideia de que o sul do país possui apenas raízes europeias, além de resgatar a figura de uma liderança negra que transitava com elegância e autoridade entre a elite política e os terreiros.
O que esperar na Sapucaí?
O público pode aguardar um desfile que equilibra a sofisticação da corte africana com o misticismo dos assentamentos de Bará. A Portela promete uma plástica rica em simbolismos, unindo as tradições do Batuque à elegância característica da escola de Madureira.
Com este enredo, a Portela se posiciona mais uma vez como uma sentinela da memória afro-brasileira, garantindo que o nome de Custódio Joaquim de Almeida ecoe não apenas nos pampas, mas em todo o mundo através do samba.