A Beija-Flor de Nilópolis, atual detentora do título, promete paralisar a Sapucaí com um desfile que é, ao mesmo tempo, um ritual sagrado e um grito de guerra. Com o enredo “Bembé do Mercado”, a Deusa da Passarela deixa de lado as fábulas para fincar seus pés no chão de barro e axé de Santo Amaro, na Bahia, celebrando a maior cerimônia religiosa de matriz africana realizada em espaço público no mundo.
Em 2026, a Beija-Flor não quer apenas desfilar, mas sim “assentar” sua força na Avenida. O enredo mergulha na tradição do Bembé do Mercado, festa que acontece há mais de 130 anos no Recôncavo Baiano. Criado em 1889 para celebrar a abolição da escravatura através do Candomblé, o evento é um marco de liberdade e afirmação religiosa que a escola de Nilópolis usará como ferramenta contra o apagamento histórico.
O desfile foca na estética da ocupação: o momento em que o sagrado sai dos terreiros e toma as ruas. O enredo aborda o xirê (dança para os Orixás) como ato político e espiritual, a transformação do espaço de comércio em um local de oferendas, preces e celebração da vida negra, e a história de como o povo negro manteve viva sua fé mesmo diante da perseguição histórica, transformando a festa em Patrimônio Imaterial do Brasil.
Nilópolis na Bahia: ocupação e axé
Conhecida por sua comunidade apaixonada, a Beija-Flor encontra no Bembé o paralelo perfeito para sua própria identidade de “escola de povo”. O desfile promete ser um manifesto visual, onde o luxo da agremiação será colocado a serviço da ancestralidade baiana.
A sonoridade deve trazer as batidas do Recôncavo para dentro do samba de Nilópolis, e a cenografia recriando o Mercado de Santo Amaro como um templo de liberdade.