Em Belo Horizonte, os barracões das escolas de samba já estão a todo vapor na preparação para o Carnaval. Fantasias, adereços, brilho, plumas e paetês tomam conta dos espaços, tudo pensado para encantar jurados e público na avenida. Neste ano, a escola de samba Raio de Sol de Todas as Quebradas aposta em um enredo africano forte e ritmado, além de prometer novidades na bateria.
Um dos presidentes da escola, Walice Guedes, afirma que a proposta mantém a tradição de homenagear pessoas vivas, mas com inovação.
“A Raio de Sol vem numa trajetória longa de homenageados. Sempre a gente pega pessoas vivas para homenagear. Vai ter um negócio diferente na bateria. Acredito que Belo Horizonte não está preparada, mas como o meu mestre sempre diz, a gente tem que inovar. Vamos trazer essa ancestralidade que está na atualidade. A bateria vai fazer algo inédito na avenida, podem aguardar surpresas”, disse.
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O homenageado da escola será o coreógrafo Evandro Passos, responsável por levar ao Carnaval de BH o ritmo africano Ongoron.
Para ele, o reconhecimento marca uma trajetória de trabalho e pesquisa. “Ser homenageado no carnaval é uma coroação de um trabalho. Eles fizeram o enredo, o Ongoron, Evandro traz o seu Ongoron. É uma coreografia que eu trouxe da África, onde morei por três meses. Assim como o samba é característico aqui, o Ongoron é uma dança típica da Costa do Marfim”, explicou.
‘Belo Horizonte, cidade oculta’
Já no barracão da escola de samba Acadêmicos de Venda Nova, a proposta é contar uma história pouco conhecida da capital mineira.
Segundo o carnavalesco Marco Aurélio Gonçalves, o enredo deste ano será “Belo Horizonte, cidade oculta”. “A gente conta a história da cidade que está sepultada embaixo das grossas camadas de asfalto e concreto. Serão 15 alas, quatro carros alegóricos e cerca de 600 pessoas na avenida”, afirmou.
Marco Aurélio detalha que o desfile começa relembrando o Curral del Rei, passa pelos primeiros anos da capital e aborda os rios que hoje estão ocultos sob a cidade.
“Temos uma história toda escondida debaixo desse concreto. E terminamos o desfile lembrando que BH já teve um carnaval esplendoroso. O carnaval não nasceu em 2010. Ele ganhou uma força nova, mas o carnaval das escolas de samba existe desde 1938. Estamos aqui, quase 100 anos depois, contando uma história de resistência”, concluiu.