O Carnaval de 2026 representa, para algumas escolas de samba de Belo Horizonte, a chance de realizar o sonho do acesso ao grupo especial. Atualmente, oito escolas integram a elite do carnaval da capital, enquanto cinco disputam vagas no grupo de acesso, de olho na promoção. Os desfiles estão marcados para os dias 16 e 17 de fevereiro, na Avenida dos Andradas.
Faltando poucas semanas para a festa, a Itatiaia ouviu escolas do grupo de acesso para saber como está a expectativa. Duas delas têm trajetórias bem diferentes, mas compartilham o mesmo objetivo: chegar ao grupo especial. Uma é uma das mais antigas do carnaval belo-horizontino e tenta retornar à elite. A outra tem menos de dois anos de existência e busca o acesso pela primeira vez.
Na quadra da Escola de Samba Unidos dos Guaranys, localizada na Pedreira Prado Lopes, na Região Noroeste da capital, a reportagem foi recebida pelo presidente Gleisson Fernandes da Silva. Fundada em 1964, a escola é a segunda mais antiga em atividade em Belo Horizonte.
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“A UNIS Guaranys é uma escola de 1964. Ela nasceu e está até hoje aqui na Pedreira Prado Lopes. Somos a segunda escola mais antiga em atuação na capital”, afirmou. Para 2026, o enredo homenageia Marlene Silva, referência da dança afro em Minas Gerais.
“Ela foi a mulher que trouxe a dança afro para Belo Horizonte há cerca de 40 anos. Aprendeu com Mercedes Baptista, no Rio de Janeiro, e abriu caminhos quando esse tipo de cultura ainda não existia aqui.”
Segundo Gleisson, além da contribuição artística, a escola também pretende destacar a trajetória de resistência de Marlene. “Ela sofreu muito preconceito. Muitas vezes chamavam a companhia dela de ‘os macacos da Marlene’, e eles tinham que entrar nos teatros pelos fundos. Mesmo assim, ela não desistiu dos seus objetivos.”
O presidente reforça que a Guaranys busca voltar ao lugar que considera histórico. “A UNIS Guaranys sempre esteve entre as grandes escolas da nossa cidade. É um lugar que é dela.”
Centenário da obra Macunaíma
Já a Unidos da Zona Leste tem uma história mais recente, mas também sonha com o grupo especial. Criada em 2024, a escola surgiu no bairro São Geraldo. O carnavalesco Benjamim Juan explica a proposta.
“A Unidos da Zona Leste nasceu com o intuito de dar oportunidade e criar novas tradições. A gente entende que as escolas de samba deveriam ser espaços que acolhem todos, independentemente de etnia, sexualidade ou identidade de gênero, mas ainda existe muito preconceito”, disse.
No primeiro desfile, em 2025, a escola conquistou o vice-campeonato. “Foi um feito muito importante. Agora, em 2026, queremos o primeiro lugar para disputar com as oito escolas do grupo especial.”
Para este ano, o enredo celebra o centenário da obra Macunaíma, de Mário de Andrade, publicada em 1926. “Macunaíma é índio, branco, negro, feiticeiro. A Zona Leste traz esse personagem e faz uma promessa: se ele nos der a estrela que nos leva ao grupo especial, vamos oferecer a ele aquilo que ele procura no livro, que é pertencer a algum lugar”, explicou.
A Unidos da Zona Leste desfila no dia 16 de fevereiro, às 14h, na Avenida dos Andradas.