Atlético e Chico Rei são temas de escolas do grupo especial no Carnaval de BH 2026

Triunfo Barroco e Imperavi de Ouros apostam em história, identidade e tradição nos desfiles deste ano

Enredos do grupo especial destacam tradição afro-mineira e a trajetória do Galo em 2026

As últimas semanas antes dos desfiles das escolas de samba de Belo Horizonte são marcadas por correria e ansiedade nos barracões. Para algumas agremiações, no entanto, a história começou justamente nesse período decisivo. É o caso da Imperavi de Ouros, que hoje integra o grupo especial do carnaval da capital.

Fundada em janeiro de 2013, a Imperavi nasceu a poucos dias do desfile, em uma articulação de última hora com outras três escolas, para garantir que os desfiles de passarela fossem mantidos naquele ano. Agora, em 2026, quando completa 13 anos, a escola leva para a avenida um enredo em homenagem ao Atlético, passando pela história do clube.

A presidente da escola, Iaral Steles, que também é rainha de bateria, falou sobre a preparação para o desfile:

“Olha, a Imperavi esse ano vem com muita força, muita garra. É uma escola que a gente determinou que sempre vem para solucionar os problemas. A gente tá descendo esse ano homenageando o Clube Atlético Mineiro, que inclusive em 2026 a Imperavi faz 13 anos e 13 é Galo. A gente vai homenagear o Clube Atlético Mineiro. É uma história muito parecida com a Imperavi, muita raça, a gente luta pelos títulos, resiliência, tá ali presente. A gente conta com a massa atleticana e até quem não é torcedor do Galo também. Estamos convocando todo mundo para vir desfilar com a gente.”

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A origem da escola está diretamente ligada às regras do carnaval da capital. Segundo Iaral, a Imperavi surgiu a partir de um regulamento interno da Belotur, que exigia um número mínimo de quatro escolas para que os desfiles acontecessem.

“A Imperavi surgiu em 2013 por causa de um regulamento interno da Belotur. Se tivesse só três agremiações, as outras escolas não poderiam desfilar. No dia 10 de janeiro, o Luís Carlos Novais falou: ‘Não podemos acabar com o carnaval de passarela. Vamos criar uma escola de samba para manter essa folia e não deixar esse carnaval acabar’.”

Homenagem ao Chico Rei

Já a Triunfo Barroco tem uma trajetória mais recente no carnaval de Belo Horizonte, mas já conseguiu chegar ao grupo especial e agora busca se manter entre as principais escolas da cidade. Em 2026, a agremiação apresenta o enredo “Reinos da Liberdade em Solo Mineiro”, que homenageia Chico Rei, personagem da tradição oral mineira que teria sido rei em uma tribo africana, trazido como escravizado ao Brasil, e que conseguiu comprar a própria alforria.

O diretor de comunicação da escola, Renato Pereira, destacou a dedicação da equipe para transformar o projeto em um desfile competitivo:

“A escola tem quatro anos, uma trajetória muito boa. É uma equipe muito boa que a gente tem. Começamos como bloco caricato, enveredamos para outra linha e fundamos a Triunfo Barroco. Ganhamos o acesso e fomos campeões do grupo de acesso. A escola vem com um enredo muito legal, que é nosso. É uma homenagem a Chico Rei. Temos raízes em São João del-Rei, muito ligadas ao Barroco, uma escola histórica e cultural. A expectativa é boa. Tem dificuldades, mas a gente vai levando do jeito que consegue.”

Com histórias distintas, Imperavi de Ouros e Triunfo Barroco chegam a 2026 com o mesmo objetivo: encantar o público e garantir um bom desempenho na avenida, mantendo viva a tradição do carnaval de passarela em Belo Horizonte.

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

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