Adolescente que agrediu Orelha cometeu outros atos infracionais, aponta PC

PC esclareceu dúvidas sobre a internação do adolescente

Cão Orelha foi agredido em Santa Catarina

A Polícia Civil esclareceu as dúvidas sobre a internação do adolescente apontado como o responsável pelas agressões ao cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Santa Catarina. Segundo a PCSC, o garoto é apontado como autor de outros atos infracionais e, com isso, a internação dele foi solicitada.

“Nós apontamos que esse adolescente também foi apontado como autor de outros atos infracionais, sejam eles de furto, dano, injúria e ameaça. Somando isso à repercussão social do caso e à necessidade de garantir, inclusive, a segurança do próprio adolescente, foi que nos motivou a representar pela internação provisória dele”, explicou o delegado Renan Balbino, da PCSC.

O artigo 122 do ECA prevê que a internação somente pode ser aplicada quando o ato infracional envolver grave ameaça ou violência à pessoa, houver reiteração no cometimento de infrações graves ou descumprimento reiterado e injustificável de medida anteriormente imposta. Adolescentes primários, sem histórico de infrações graves, não podem ser privados de liberdade. Esse não era o caso do adolescente apontado como o agressor de Orelha.

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Defesa contesta versão da PC e divulga vídeo de Orelha

A defesa do adolescente apontado como o agressor de Orelha divulgou um vídeo que mostra o cão andando pela rua após o horário em que ocorreram as agressões. Para os advogados, as imagens “derrubam as supostas provas de acusação do adolescente”.

Porém, segundo a delegada de Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi, em nenhum momento a PC afirmou que o cão foi agredido até a morte. O animal sofreu uma agressão na cabeça no dia 4, que evoluiu e provocou o óbito no dia 5.

Adolescente mentiu em depoimento

Ainda segundo a PC, o adolescente era um dos que estava fora do Brasil durante as investigações e foi interceptado no aeroporto. O celular dele foi apreendido, e peças de roupas foram cruciais para que ele fosse apontado como o agressor.

O jovem relatou aos policiais que, no dia 4 de janeiro, teria ficado em casa. Porém, imagens obtidas pela PC mostravam ele saindo do condomínio às 5h25 e retornando às 5h58. Ele apresentou outras versões contraditórias.

O que diz a defesa

Em nota, os advogados do jovem apontado como autor da agressão contra a Orelha afirmaram que atuam “de forma técnica e responsável”, orientados pela “busca da verdade real e pela demonstração da inocência”. A defesa protestou conta o fato de “não ter tido acesso integral aos autos do inquérito”. Leia a nota na íntegra:

“Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem indevidamente associado ao caso do cão Orelha, alertam que informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito.

Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes.”

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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